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El chalten, a capital Argentina do hiking

Já por aqui andamos há um par de dias nesta terra pedida no meio dos glaciares. A partir de el chalten saem percursos que nos colocam num par de horas em frente a um glaciar. Por aqui, os glaciares são mais que as mães e atraem centenas de turistas.
Para onde se olhe só se vê pessoal de mochilão às costas vestidos com roupas de montanha.
As poucas ruas estão repletas de alojamentos e bares/restaurantes cheios de entusiastas do vinho e da cerveja.
Para quem, como nós, gosta de montanha isto é o paraíso.
Como de costume perde-se sempre uma dia a conhecer os cantos à casa, mas hoje já foi dia de usufruir a 100%, ou seja, 6 horas pela montanha a apreciar paisagens que dificilmente encontramos na Europa.
Fizemos um dos dois percursos estrela cá do burgo. Amanhã vai ser o outro. Haja pernas..
Chegámos aqui vindos de El Calafate, o centro de distribuição de turistas onde voltaremos para apanhar o avião para Buenos Aires.
El Calafate, a terra mais próxima do Perito Moreno, o glaciar estrela das redondezas especialmente porque do carro à sua frente de dezenas de metros de altura são 10 minutos. É um bicho impressionante que tive o prazer de pisar graças ao tour que fiz que incluía 1 hora de caminhada no seu dorso.
Também fizemos um viagem de ida e volta no mesmo dia para ver as torres del paine no Chile. Foram 600 km em camião todo o terreno para ver….(quase) nicles. A meteorologia não ajudou e não se via ponta das torres. Anyway, a paisagem era brutal e a viagem valeu por isso.
alojamento em el chalten

El calafate, o centro de distribuição de turistas

El calafate é uma cidade onde todos se encontram para ir a algum lado. Tem uma rua principal de agências de viagem, restaurantes e lojas de montanha. Depois tem o resto das ruas.
Apesar de ser hiper turística é calma e simpática.
Nós, como todos os outros, estamos aqui para ir a outros lugares.
Amanhã vamos ver glaciares. A João que tem o tendão de Aquiles armado em parvo vai fazer a versão miradora ao longe. Já eu, vou fazer a versão em que metemos o pezinho em cima do bicho.
Domingo descansamos e segunda fazemos uma viagem louca que sai às 6h30 para ir visitar o parque natural torres de paine (acho que não é bem este o nome) aqui ao vizinho Chile com volta já de noite.
Na terça rumamos a el Chalten, a auto-denominada “capital do trekking”
xxx

 

 

 

 

Ushuaia, ou como é conhecido "fim do mundo"

O que se pode dizer sobre ushuaia? Já toda a gente ouviu falar de ushuaia, a cidade do fim do mundo.
Quem tem veia de viajante ou já cá veio ou sonha em vir cá. Nós pertencíamos ao segundo grupo e nunca nos passou pela cabeça que alguma vez cá viriamos. Mas graças à pandemia cá estamos.
Sim, esta malvada da pandemia que nos manteve em casa demasiado tempo e quando nos soltou nós voámos o mais alto que podíamos e é por isso aqui estamos.
O que se pode dizer sobre ushuasia onde se navega pelo canal beagle com lobos marinhos a mergulhar á nossa volta? Esse canal onde as baleias são (bem as vimos) frequentes e onde as pequenas ilhas são habitadas por lobos marinhos, pinguins e corvos marinhos. O que dizer? Não faço ideia! E o parque nacional do fim do mundo onde a paisagem natural acha que pode rebentar a escala de beleza? Não sei o que se pode dizer sobre isso também. Dava-me jeito uma veia de Afonso cruz.
E claro, a cidade… Não é brutalmente gira, mas é ushuaia, carago! Daqui para baixo, tirando Puerto Williams no Chile não há nada até ao pólo sul. No porto, um barco que para lá se dirige aguarda ordem de marcha. Em terra, malta de mochila às costas vagueia, uns à deriva outros bem direcionados. Lojas de material de montanha, hostels de malta com brilhos nos olhos. É ushuaia, carago!
Estou no hotel.. de um lado o canal beagle, do outro as montanhas nevadas. Mar e montanhas com neve na mesma janela não se vê todos os dias.
O que dizer sobre isto tudo? Só me ocorrem: estamos em ushuaia, estamos no fim do mundo, carago!
No entanto estou certo que a percepção do que estamos a experimentar nos vai bater forte quando voltarmos a casa e ao olhar para o mapa encontrarei palavras mais dignas desta experiência. Algo como “foda-se, estivemos no fim do mundo. Somos uns previligiados do caralho!”
fim do mundo

a difícil gestão do dinheiro.

Ao fim de uma semana acho que já nos sabemos safar, mas isto não é fácil!
A saber: o peso argentino está em queda livre e com uma inflação louca. Tão louca que hoje tudo se conta em milhares de pesos e a nota maior é de 1000 pesos e os preços são semelhantes a Portugal (pelo câmbio oficial) Vais jantar fora com um grupo de amigos? Conta com 40 ou 50 notas!
câmbio oficial. Neste momento está a cerca de 1 para 205 pesos. Num banco nacional é este o câmbio. Se fores ao multibanco é este o câmbio. Se passares com cartão é este o câmbio. Se pagares pela internet valores em euros (ou dólares) é este o câmbio.
Depois temos o câmbio “para turistas'” como lhe ouvi chamar. Este está a 1 euro para 360 pesos. Se fores a uma agência de câmbio é este o valor. Se pagares na net valores em pesos é este o câmbio.
Depois há o “blue”. Este só o apanho na western union. Instala-se uma app, carrega-se dinheiro com o visa e levanta-se nas agências Wu.
(Em Buenos Aires à malts na rua a cambiar em blue)
Depois há coisas mais raras. Restaurantes que te fazem 1 para 400 ser pagares o que consumiste em euros.
Isto tudo implica que tens de ter dinheiro contigo para poderes usufruir dos custos a metade do preço. O que implica ter dinheiro para trocar ou andar sempre à procura de agências Wu e ir para as filas e esperar que tenham dinheiro e não teres stress com o visa (o que estou a ter) e andares sempre com maços de notas, porque se acabam… Pagas com cartão… a 1 para 205. Enfim, todo um filme!

 

Argentina? Não, não. Uruguai.

E viva a internet! Estamos neste momento no autocarro entre Colónia e montevideo. Já reservei hotel para hoje, avião para ushuaia e alojamento lá para 2 noites. O tempo e stress poupado é incalculável.
Não se passou muito desde o meu último post, mas deixem-me voltar ao encontro de ontem com as moças viajeiras. Podem ter ficado com a sensação que não gostei de estar à conversa com elas, o que não é verdade. Foi uma conversa interessante e foi interessante perceber que estamos todos no mesmo barco. O que ver? Quando? Como lá chegar?
Uma das minhas angústias éo tempo que se passa em transportes e temos prevista uma viagem de 11 horas de autocarro de .. até ushuaia. Será que não morremos de tédio … E dores nas costas? Fará sentido esta opção? ” A viagem maior que fiz de autocarro foram 22 horas de ushuaia a …” Disse a alemã. Senti que o nosso plano afinal não era assim tão descabido ou dia do comum.
Como nós, também elas fazem marabalismos para fazer o dinheiro esticar. É bom perceber que não somos os únicos loucos com dinheiro contado mas que mesmo assim não abdicamos de viver.
Não sei quantos outros loucos andam por aqui, mas este encontro com estas moças (todas a viajar sozinhas. Todos nos conhecemos naquele momento) deu-nos uma sensação de pertença ao clube dos loucos que não abdicam de conhecer o mundo mesmo que o obrigue a viagens de 22h de autocarro.
algures entre Colónia e montevideo

Argentina, hoje em versão Uruguai

Hoje vimos um beija-flor. É um daqueles momentos em que percebemos que estamos um bocado longedas nossas geografias. 🙂
Mas comecemos pelo princípio. Estamos neste momento em Colónia de Sacramento uma localidade que durante anos andou a saltitar entre Portugal e Espanha acabando por ficar no Brasil quando este se tornou independente de Portugal e finalmente no Uruguai quando este se tornou independente do Brasil.
Já fizemos a visita guiada do centro histórico e já demos uma volta por toda a zona costeira. Uma tarde e está feito. Falta ainda ver os museus que são, se não me engano sete, onde se inclui um museu português e um museu do azulejo.
O ambiente é muito calmo e turístico qb com bastantes esplanadas a convidar para uma cerveja para refrescar do calor intenso.
Hoje foi um dia calmo com direito aquelas experiências dignas de filmes lamechas :p Conhecemos uma portuguesa, uma alemã e uma espanhola a viajar sozinhas pela América do sul. Todas entre empregos e sem saberem o que vão fazer a seguir. Estivemos uma hora à conversa com elas e eu a ver quando aparecia a Meg Ryan que fica sempre bem nestes filmes.
Colónia de Sacramento

o melhor do mundo são os amigos

O Ezequiel e a Valentina passaram por nossa casa há uns anos quando vinham de bicicleta da Dinamarca, onde viveram por uns tempos, a caminho da sua Argentina. Nunca perdermos o contato com eles e quando foi altura de escolher um destino para estas férias, reencontá-los pesou na escolha.
Tivemos uma recepção maravilhosa com direito a asado, o churrasco argentino, ao jantar no seu belo terraço, bem regado com vinho Malvec e cerveja Patagónia, e bem conversado com grandes gargalhadas (sim, minhas) graças à peculiaridade da língua Argentina. Cá para estes lados não há “ll” nem y”, só “ch” e ijó Calle é cache, yo é ijó
O primeiro dia foi passado a apreciar o dia a dia no bairro deles, La Paternal, de onde é originário o Maradona. O estádio onde começou a jogar, que fica perto, tem o seu nome e até uma espécie de capela onde Maradona está no lugar que normalmente é ocupado pelo Jesus man.
Até ver a experiência com os argentinos tem sido excelente. Interessados no que temos para dizer, conversadores e simpáticos. Hoje no belo café literário ao lado da casa dos nossos anfitriões (onde já fomos algumas vezes) perguntámos onde comprar um cartão para os transportes públicos e sem hesitações carregaram e emprestaram o seu próprio que não iam precisar nos dois três dias que iríamos precisar e estar fora.
Sim, estar fora. Estamos neste momento a caminho do Uruguai. Descemos até ao centro de Buenos Aires e apanhámos o ferry que atravessa o rio da prata em direção a Colónia de Sacramento, uma cidade “uruguacha” que foi em tempos portuguesa e depois de visitar vamos à capital do Uruguai, Montevideo, para depois voltamos a Buenos Aires para o casamento dos nossos amigos.
a caminho do Uruguai

Argentina: and so, it begins..

Como começar a explicar esta aventura? Talvez com uma pandemia que nos afastou de viagens e encheu de stress.
Pela parte que me toca, foram meses difíceis a gerir com o meu colega dos recursos humanos todas as regras e alterações necessárias para pagar impostos e salários. Foi complicado e acabou com o meu colega, que sofria do coração, a morrer de ataque cardíaco. Não tenho dúvidas que o stress pelo qual passou teve um peso importante neste desfecho.
Para mim foi a gota de água que fez transbordar o copo e decidi que precisava de uma pausa. Demasiados anos com servidores a depender de mim e muitos ataques de pânico quando algum falhava. Sempre em stress. 24 horaqs por dia, 7 dias por semana, mesmo durante as férias.
Era pois a altura para uma grande aventura por todos os motivos e mais um. Passei a pasta do stress dos servidores e aqui estou eu pela primeira vez em 23 anos de férias sem esse peso em cima.
Há que aproveitar enquanto temos pilhas (ainda teremos?) para esta aventura.
Assim, aqui vamos nós quatro semanas em direção a Buenos Aires, com passagem pelo Uruguai e pela Patagônia. Pelo menos é esse o plano. A ver, vamos.
início

Rota vicentina, dia 6: etapa 3

Hoje acordámos em almograve. A noite da passagem de ano era a única que tínhamos reservado antecipadamente e acabou por ser a única que não passámos em Santiago.
Fizemos uma passagem de ano calmissima a ver o Maik na RTP2. O Maik acabou antes da meia noite mas nós também. Estávamos com um pé na cama quando soaram os foguetes. Ainda abrimos as precianas para os ver.
Esta foi a etapa das batotas. A João quis ir ver o mar e deu-me boleia até ao Porto dar pombas. Menos 4 ou 5 kms..
As pernas hoje não queriam cooperar muito mas lá fui correndo ao longo das falésias. Perto do sardao entrei em modo urbano com estradões e alcatrão. Valeu pelo cabo e pelas cegonhas mas falésias.
Do cabo para sul foi sempre estradão. Corre, corre… Marquei com a João na praia de.. qualquer coisa.. a sonhar com um mergulho mas a porra da praia estava lá no fundo.
Dei por terminada a etapa a cerca de cinco quilómetros de estrada da zambujeira.
Pegámos no carro e fomos dar uns mergulhos no Carvalhal antes de acabar a etapa com outro belo almoço na azenha.

Rota vicentina, dia 5: etapa 4

Hoje foi dia de prato forte. Entre são Torpes e Odeceixe esta é sem dúvida a melhor etapa. Tem escarpados de encher o olho, descidas e subidas dignas de trail, belos caminhos no meio do pinhal e belas praias para banhar.
A etapa começa logo bem, na igreja da zambujeira do mar mesmo junto à costa. Segue pela praia da Vila e poucos quilómetros depois, praia do Carvalhal. Mar abrigado e calmo não há como resistir. Mais á frente vamos passar pela praia da Amália, parece que a moça passava lá férias. A praia tem um Ribeiro que acaba em queda de água, maravilha. O mar volta a convidar, são um segundo mergulho.
Mais à frente voltei a encontrar o casal alemão com que tinha estado na cavaqueira dos dias antes. Blablabla para aqui, blablabla para ali e dia caminho.
Eis que se passa pela azenha do mar onde estava a João já com mesa guardada num tasco em cima da falésia. Pedimos uns polvos e umas cenas porque não havia moreia, nem no dia seguinte quando reincidimos, e esperámos pelos alemães.
Muitas cervejas e uma hora depois eles seguiram a vida deles e eu fui um pouco depois.
Chegado à margem sul do rio Seixe, era necessário uma volta chata para chegar ao fim. Em alternativa como a João estava lá, saquei do packraft e naveguei rio abaixo até a ondulação ficar complicada e me dar a cagufa. Saltei fora do rio, não sem antes perder um chinelo que o mar após brincar com ele um bocado entre as ondas fez o favor de me de devolver.