All posts by Cláudio Tereso

Balcãs, dia 11: kosovo

O kosovo é daqueles sítios que todos ouvimos falar e que nunca nos ocorreu que alguma vez iríamos visitar. Antes da Rússia invadir a Ucrânia as últimas guerras na Europa tinham passado por aqui. Neste momento ainda há milhares de militares da NATO na região em missão de manutenção da paz.

Foi por isso com alguma curiosidade (e apreensão) que nos dirigimos para a fronteira. Apreensão que só aumentou quando no telefonema do dia anterior para a agência de rent a car nos informaram que a seguradora não cobria o kosovo, coisa que não nos tinham dito antes. 
Fomos verificar e efectivamente o motivo l kosovo não faz parte dos países abrangidos pela carta verde mas existe um “seguro de fronteira” que se faz por sete dias quando se entra no kosovo para resolver o problema. Menos mal. 
Menos mal, pensávamos nós, mas na fronteira disseram-nos que como o carro era da sérvia não precisava do seguro. Nós ainda tentámos insistir mas nada e se houvesse problemas a seguradora fazia-nos, de certeza, um toma. 
Portanto a decisão foi limitar o tempo no kosovo ao mínimo e conduzir com cuidados ultra-redobrados. 
O plano era simples, ver duas das três cidades recomendadas no guia e subir para a servia ainda no mesmo dia. 
A primeira foi Pec que segundo o guia era uma cidade de acesso às rotas pedestres de longo curso nos Alpes Dinaricos. Imaginámos uma bela cidade de montanha com as suas casas em madeira e tal e coiso.. Pois pois, uma cidade tipo Marrocos foi o que nos saiu na rifa. Caos no trânsito, sem sítios para estacionar e os carros parados por todo o lado, um centro com centenas de lojas de tralha com os vendedores sentados à porta com ar de profundo .. nada no olhar e onde a roupa oficial parecia ser o fato de treino. Isto começa mal….
Demos uma volta, bebemos um chá e rumámos à capital, pristina. 
Mais uma vez fomos brindádos com intermináveis obras e confirmámos a presença das tropas da NATO que vimos circular pelas estradas. 
Pristina foi uma lufada de ar fresco. Apesar de haver alguns edifícios a precisar de obras, a avenida pedonal principal tinha um ar moderno e centenas/milhares de pessoas que não usavam fatos de treino passeavam. 
Mas mais uma vez o diabo está nos pormenores. A biblioteca nacional está velha e a precisar de obras. Aqui e ali viam-se ministérios/secções de ministérios em instalações pouco dignas, o que me deu a impressão de “fica aqui porque é o que se arranja” e um pouco por todo o lado vê-se placas a informar o apoio de países terceiros, especialmente os EUA. Ser um país tem custos e nota-se a milhas que o kosovo não tinha capacidade para o ser. Eu diria que se não fossem os apoios externos já tinha implodido.
Pristina visitada sem incidentes rodoviários, siga para a servia antes que a sorte acabe. Felizmente eram só mais umas dezenas de quilómetros, em obras claro 

Balcãs, dia 10: há dias assim…

Hoje foi dia de ver alguns spots que faltavam em Durmitor. Depois de uma curta caminhada com belas vistas para o Canyon do rio Tara decidimos ir lá abaixo ver uma pequena aldeia que avistámos do topo e que tinha bom aspecto.

Começámos a longa e sinuosa descida que entretanto perdeu o alcatrão e começou a piorar e decidimos desistir, mas o mal estava feito. A brincadeira gastou os travões e passámos a ser acompanhados por uma choradeira infernal mas que por vezes fazia tréguas.
Como estava intermitente estávamos indecisos sobre o que fazer. Decidimos seguir direito ao kosovo como previsto a ver o que acontecia. A fronteira para o kosovo era na mesma direção da  fronteira com a servia onde achámos que teríamos mais facilidade em responder o problema visto ser um carro alugado nesse país.
Perto da decisão, o carro estava a fazer pouco barulho e decidimos arriscar mas para nossa sorte a estrada estava cortada e tivemos mesmo de seguir para a servia.
Assim que chegámos à primeira terrinha telefonámos para a  assistência do rent a car que nos disse para irmos a uma oficina que eles depois davam-nos o dinheiro.
Assim fizemos, com a ajuda do Google em 10 minutos estávamos numa oficina e passado uma hora tínhamos o problema resolvido 🙂
Depois de algumas indecisões, marcações e desmarcações decidimos voltar ao plano kosovo. Eram menos de 100 KMS até ficarmos, de volta no Montenegro, a 10 km a fronteira com o kosovo. Siga a marcha.
Depois de um flop do software de navegação que nos enfiou numa estrada sem alcatrão só porque eram menos uma dúzia de quilómetros e que decidimos abandonar e voltar tudo atrás, especialmente porque já era de noite; e depois de a estrada principal que apanhámos ter trinta quilómetros de obras lá chegámos ao destino.
Um belo e estranho resort de montanha perdido no meio do nada.
Era muito bonito e tinha um lindíssimo restaurante, tudo em madeira, mas os pormenores davam cabo de nós. Acabamentos da treta (muito comum por aqui), pequenas reparações que podiam ser feitas.
Parecia um filme de terror em que tudo é perfeito, mas não bem, algo está mal. Não tem nada a ver, mas fez-me lembrar o filme vivarium.
Enfim, dia feito, até nem correu mal tendo em consideração o potencial. Se este foi o pior dia, estamos muito bem 🙂

Balcãs, dia 9: durmitor nacional park

Hoje foi dia de montanha, mas não um dia de montanha a sério, é que passámos a maior parte do tempo de carro e não a montanhar.
O parque tem uma rota panorâmica de 80 km à sua volta e nós achámos que era uma opção mais fixe do que cansar as vi pernas 🙂
O percurso vale muito a pena e fizemos inúmeras paragens para comer, fotografar e até, vejam lá!, caminhar. 
Antes tínhamos feito a caminhada recomendada â volta do lago negro. É suposto ser muito giro mas eu não fiquei impressionado. É um lago na montanha..
Passámos agora no turismo e já temos uma ideia melhor das caminhadas que há. Talvez amanhã tenhamos vontade de fazer alguma coisa mais digna de montanha 🙂

Balcãs, dias 7 e 8: do mar para as montanhas

Abandonámos o belo mar e subimos as montanhas. Não sem antes visitarmos Sveti Stefan, a terrinha nunca quase-ilha. Visitar, salvo seja, porque a terra está fechada. Ao que parece é privada e os donos queriam que fosse completamente fechada a visitantes mas o governo não concorda e queira que o público tivesse acesso. Conclusão? Está completamente fechada e ninguém usa. 

Para compensar, lá perto está a “praia da rainha” a praia mais super espectacular de todos os tempos finitos e infinitos e a sua água cristalina as uns 24 graus. 
Mergulho tomado e subimos para o parque natural de lovćen, uma maravilhosa serra calcária com zonas de sonho para a orientação 🙂 e belas vistas para a baía de Kotor.
Dormimos num belo hotel na serra e de manhã avançámos para o parque natural de Dormitur onde chegámos ao anoitecer. 
Mas antes ainda passámos por Cetinje a simpática vila pertinho do parque de lovćen e que foi a capital de Montenegro antes de este ser engolido pela Jugoslávia.  Ainda fomos visitar a actual capital, Podcortiza… Que dizer, visitar é um abuso de linguagem. Aquilo tem zero para ver. Vá tem uma catedral gira que merece 15 minutos…

Balcãs, dia 6: baia de Kodor

Hoje passámos para Montenegro. Mostra os passaportes, tal e coiso, nada de especial e segue viagem.

A primeira paragem foi em Herceg Novi, terrinha gira, nada de especial, mas deu para ver que mudámos de ambiente. Praia, turistas… É outro ambiente..
Rumámos a Kotor, uma das jóias de Montenegro. Pelo caminho fizemos uma paragem num belo, mais que belo, spot para um mergulho e um simpático almoço.
Pouco depois entrámos na baia de Kodor.. wtf!!??? Não há palavras para descrever a paisagem desta baia/fiord mas vou tentar: baia com largos kms, ladeada por uma estrada que segue rente à água cristalina. Logo a seguir à estrada seguem-se as montanhas de calcário, altas e lindas de morrer. Para toque final, vilas antigas e com os pés na água salpicam o cenário.
Enfim, do mais bonito que alguma vez vi.
Finalmente e após algumas filas chegámos a Kotor onde nós e os outros milhares de turistas;  estava um cruzeiro no porto…
Kotor tem uma muralha que sobe a montanha e de onde se tem vistas espectaculares, mas chegámos a meio da tarde e queríamos seguir por isso não subimos. Além disso eram 15 € 😛
Acabámos o dia em Buvda. Ficámos num alojamento no meio do belíssimo Stari Grad (centro histórico) que contrasta com a gigantesca cidade de prédios à volta.



Balcãs, dia 5: best of bosnia

Hoje foi dia de ver algumas das jóias da Bosnia antes de passar para o Montenegro. 

A mais conhecida é Mostar. Famosa pela sua ponte que foi destruída na guerra (sim, mais uma vez e sempre, a guerra) mas que entretanto foi reconstruída em todo o seu esplendor.
A cidade é muito jeitosa com inúmeros edifícios em pedra, tão jeitosa que atrai turistas aos molhos. Nas piores horas nem se consegue atravessa-la tal é o núm
ero de turistas. 
Lá perto fomos ver a nascente do Bona onde existe uma simpática e pequena casa de três derviches.
De seguida passámos pela Fátima cá do sítio (não me lembro do nome) onde estavam a realizar uma bela missa campal.
Para acabar o dia fomos até Trebinje que consta no guia como a cidade mais bonita da república da sérvia. 
E não, não me enganei. A república da sérvia é a parte ortodoxa da Bosnia e Herzegovina que é maioritariamente muçulmana.  
Segundo uma sondagem à boca dos cafés, os bosniacs (bósnios muçulmanos)até não tem nada contra os servios, já os servios da república da sérvia …
Enfim.. probabilidade de voltar a haver confusão? Eu diria que alguma.


Balcãs, dia 4: natureza à volta de Sarajevo

Hoje foi dia de esquecer a guerra… mas não antes de passar pelo museu do túnel que ligava Sarajevo citiada ao exterior para entrada de armas, comida, medicamentos, etc.

Demos um salto ao Vrelo Bosne (nascente do Bosna) um pequeno parque onde as várias nascentes (ou serão surgencias?) do Bosna montam um fabuloso mosaico de água. 
Depois seguimos para o parque natural de Trebevič onde decorreram parte dos jogos olímpicos de inverno de 1984.
Esta montanha/parque fica mesmo por cima de sarajevo e dá para lá chegar a partir de um teleférico que parte praticamente do centro da cidade. 
Para quem não sabe, que era o meu caso, sarajevo fica a mais de 500 metros de altitude num vale rodeado de montanhas que chegam a ultrapassar os 1500 metros. 
E a coisa por aqui está feita, amanhã seguimos viagem e se não houver nada que nos atrase muito, devemos chegar ao Montenegro. 

Balcãs, dia 3: Saravejo

Foto após foto, vídeo após vídeo, texto após texto, Sarajevo é um compêndio de horrores. 
Em Saravejo a vida é pacífica e as pessoas muito simpáticas. Todos com quem falamos desejam que gostemos da Bosnia e todos querem saber de onde somos, sendo Portugal uma origem apreciada 🙂
O ambiente é calmo e não parece haver fricções entre os vários grupos étnicos/religiosos. Os croatas/católicos, os servios/ortodoxos e os bosniacs/muçulmanos (e outros) aparentam viver bem entre eles mas o passado recente é feio. 
Há cerca de trinta anos servios/ortodoxos achavam que todo este território devia ser deles e fizeram o possível e impossível para tentar acabar com bosniacs/muçulmanos.  É mais complicado claro, mas o principal passa por isto.
Museu após museu lá vamos vendo as desgraças a que foram submetidos. O cerco de 4 anos a Saravejo com snippers a alvejar civis na rua e bombardeamentos constantes, as valas comuns, as torturas, as violações, etc, etc. 
Só lá vão 30 anos! Muitas das pessoas com quem nos cruzamos passaram por isto e de certeza que de ambos os lados. Não pode ser fácil conviver com estas memórias. Um dos textos em um dos museus era o testemunho de um snipper que tinha pesadelos com uma rapariga que lhe perguntava porque a tinha assinado. Ele acabou por se suicidar. 
Em um vídeo aparece um dos comandantes servios a mostrar a um convidado (um repórter russo se não me engano) as posições de metralhadoras no alto da montanha apontadas à cidade. Pergunta-lhe se que disparar e ele experimenta…
Os relatos sucedem-se…
Os museus não são meigos e não poupam nas imagens e nas descrições e é difícil não pensar no que se está a passar na Ucrânia e em Gaza, especialmente em Gaza que me parece ser semelhante ao que se passou aqui: extermínio dos muçulmanos nos “nossos” territórios. 
É impressionante saber que tudo isso aconteceu há tão pouco tempo e quão pouco eu sabia sobre o assunto muito em parte, não tenho dúvida, da minha falta de interesse na altura por acontecimentos internacionais. 
E pronto, devemos fechar por aqui o capítulo da guerra. Amanhã vamos mudar a agulha e dar uma vista nos arredores de Sarajevo. 🙂


Laís

Balcãs: dia 2, srebrenica

Passámos a fronteira para a Bosnia sem problemas e pertinho de onde passámos fica Srebrenica, lugar de graves confrontos entre servios e bósnios. Segundo os bósnios foi um genocídio, segundo os servios for a defesa do seu território.

Nota: as relações entre toda esta malta por aqui é duma compilação sem fim. Não consigo, nem sei! explicar a história de Srebrenica num post. Para uma informação mais exacta consultem fontes mais conhecedoras.
Perto de srebrenica, onde era o quartel dos capacetes azuis, foi criado um memorial. Passámos lá duas ou três horas para ver a coisa por alto. 
Já visitámos muitos museus sobre situações, digamos, desagradáveis, mas este bate mais fundo porque o massacre que ali se passou foi recente, nós já éramos adultos.
Quando voltarmos temos de ver o filme “quo vais, aida” que é sobre este acontecimento. 
Depois de Srebrenica rumámos a Saravejo onde estamos agora, mas isso é estória para amanhã. 


Balcãs: dia 1, parque nacional de Tara

Andamos a curtir bué não perceber nada do que se passa. Estes moços pouco falam inglês e nós temos dificuldade em sequer ler para ver se pescamos alguma coisa porque a maior parte das coisas estão em cirilico. 
Andamos a treinar os nossos gestos ea recorrer ao amigo Google tradutor. 
Chegámos e viemos logo para o parque de Tara, Belgrado vai ficar para o fim. Gostamos sempre de passar os últimos dias perto do avião 🙂
Aqui pela província parece que estamos em Portugal anos 80. Muitas mercearias velhinhas e mal apanhadas, buracos de cigarro na toalha do restaurante, um alojamento digno de meter dó (com uma dona que falava zero inglês). 
Já o parque tem umas belas vistas e um percurso pedestre que merecia o Oscar de percurso mais mal marcado de sempre. 
A servia não é para corações fracos mas quem, como nós, gosta de se meter em dificuldades desnecessárias, vai com certeza sentir-se em casa.
Amanhã vamos ver o que se passa na Bosnia.