Açores: dia 9, Pico

Hoje foi um dia muito triste: tiraram a escada de acesso à poça branca. Não se faz! Agora ao invés de descer calmamente para a água temos de descer com algum cuidado pelas pedras escorregadias. Uma chatice! 

Depois do mergulho da praxe subimos para ir ver as lagoas mas quando chegámos lá acima decidimos ir ver o acesso ao Pico para antever o que seria necessário. 
Lá chegados e depois de vermos a condições decidimos que, aos de ser um bocado tarde mas não demasiado (11:30), íamos logo avançar. A João ia fazer a caminhada curta até à furna e eu até ao piquinho. Siga para bingo, mas oh senhores, quem achou que subir aquela coisa era um passatempo divertido?
Lá fui pé ante pé com a 3 horas indicadas pelo pessoal como meta.
Sobe, sobe e sobe e quando estou com duas horas passo por uns “prós” que vinham a descer e que me disseram que era muito tarde e que ainda ia demorar duas horas e meia a chegar lá acima. Mau…..
Enfim, continuei e passado um bocado um cromo zen diz-me algo parecido. MAU ….
 Mas continuo, o meu objetivo era às 15 começar a descer onde quer que estivesse. Disseram que eram quatro horas a descer e com o estado dos meus joelhos achei que devia contar com cinco. 
Perto das duas horas e meia da subida passo por um grupo que vem a descer e cujo líder, um negro muito bem disposto, me diz que devem falar uns 45 minutos. Ufa!!!!
Cheguei ao Pico com 2:59 🙂 completamente esgotado. É uma subida insana (1000 metros de desnível em 4km).
Agora só faltava o piquinho. Olhei para ele e LOL aquela porra é tudo menos um piquinho! Já seria um desafio interessante subi-lo fresco quanto mais depois de 1000D+.
Como sou um gajo com juízo achei que, ainda com a descida pela frente, o melhor era não arriscar. Já paus não falar com o estado de cansado em que eu estava só a subida e descida ao piquinho seriam um grande risco. Aquilo tem partes que são verdadeira escalada….
Enfim, uma voltita na cratera e toca a descer. E que descida! Aquilo é infernal de descer! Devagar devagarinho que a malta não quer cair e ainda mais importante que os joelhos aguentem até ao fim! 
Devagar, muito devagar lá fui descendo sempre com os joelhos bem dispostos. A meio caminho passei por um grupo onde um dos desgraçados tinha as solas das botas soltas e estava a todo o custo ata-las às botas. Ia ser uma descida muito muito longa ..
Ainda passei por um casal que estava a começar a subida por volta das 16:00… Já ouvi ideias melhores! 
Finalmente cheguei cá abaixo. Foram 8k. Que me deixaram como se tivesse feito os 30 da Freita! Uma tareia monumental. 
No fim pedi o nome de todos do centro de acolhimento para fazer queixa deles à polícia por maus tratos. 
Tareia completa, siga para poça branca!

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