Crónica no Região de Leiria : Elogio à Bicicleta

Crónica de 5 de Abril :

É com grande agrado que vejo aumentar no distrito, ano após ano (pelo menos nas zonas que frequento regularmente), a oferta de infra-estruturas para quem quer usar uma bicicleta nos seus tempos de lazer. São já muitas dezenas de quilómetros que podem ser feitos em pistas próprias em total segurança e também muitos os trilhos fora de estrada marcados para os ciclistas todo-o-terreno fazerem o gosto ao pedal. 

E o mais importante também não falta, pessoas dispostas a usar toda esta oferta. Dá gosto ver que são cada vez mais as que usam a bicicleta nos seus momentos de lazer, mas curiosamente é mesmo só nesses momentos.

Este hábito de andar de bicicleta teima em não passar para o quotidiano, o que me surpreende e parece-me que muitas das desculpas usadas não fazem sentido. Quem conhece a Europa, especialmente de França para “cima”, já pôde constatar que mesmo quando faz frio ou chove, mesmo quando há inclinações, mesmo quando não há pistas, é normal ver pessoas a usar a bicicleta no dia a dia. Pelos nossos lados, nem os estudantes universitários as usam.

É certo que há outros motivos, e alguns eventualmente mais válidos, mas não é possível que todas as pessoas os tenham todos os dias. O nosso clima é ameno e o terreno de desníveis suaves, não acham que vai sendo tempo de deixar de precisar do automóvel como se do ar que respiramos se tratasse?

O texto pode ser consultado no Região de Leiria online.

Crónica no Região de Leiria : Maravilhas ou Negociatas?

Crónica de 16 de Março :

Não podia estar mais de acordo com o Rui Tavares quando escreve no Público de 5 de Março que “Aquilo de que precisamos mais do que nunca, num jornal, é uma explicação de como as coisas funcionam. As pessoas já sabem das notícias, já ouviram os comentários, mas continuam a querer tentar entender como funcionam as coisas.”

Por exemplo, não preciso de um jornal que me diga que o arroz de marisco da Praia da Vieira foi eleito como uma das 7 Maravilhas Gastronómicas de Portugal. O que eu quero saber é quanto custou e a quem. E não me refiro só ao valor da candidatura, devem existir montantes “escondidos”, desde gastos com publicidade a jantares oficiais, entre outros que nem imagino e que temos o direito de saber. E além disso, passados 6 meses, e com o prémio esquecido por quase todos, convém apurar resultados e descobrir se valeu a pena, ou seja, houve impacto mensurável na economia local?

Porque uma coisa é certa, ao ritmo que as empresa organizadoras, a EIPWU e a New 7 Wonders Portugal, vão inventando concursos, não tenho dúvidas que, pelo menos para eles, vale a pena. Para quem paga, e que normalmente são entidades públicas, é que já não sei. E visto que estamos à beira de mais uma euforia incompreensível à volta de maravilhas, desta vez em versão praia e mais uma vez paga, pelo menos parcialmente com dinheiros públicos, gostava de saber.

O texto pode ser consultado no Região de Leiria online.

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Este assunto cheira-me MUITO a esturro. Já tinha escrito sobre ele AQUI (não é muito diferente, mas tem alguma informação que não coube no artigo).

Só por curiosidade alguém acha mesmo possível o turismo dos Açores ter pago 1,5 milhões de Euros pela organização da festarola sem ter garantido que recebia uma ou duas maravilhas independentemente da votação das pessoas?

O mundo dos concursos com votação é uma diversão.  Sabem que há empresas que inventam prémios para dar aos clientes para eles poderem na sua publicidade dizer “votado pelos consumidores como a melhor marca de <escolher categoria>”?
Não há votação nenhuma, mas como ninguém investiga, tudo bem…

Crónica no Região de Leiria : Trinta euros menos um

Crónica de 24 de Fevereiro :

“Um familiar que faleceu deixou-lhe alguma coisa a que dá muito valor”. Esta é uma frase que pode ouvir de um mentalista/médium e que se aplica a muitas pessoas, afinal todos temos familiares que já faleceram. Se a isso juntarmos o facto de quem recorre a um mentalista estar potencialmente fragilizado e agarrado a recordações do falecido, há uma probabilidade muito forte de a afirmação estar certa. No caso de estar errada, pode-se sempre dizer “ainda não está na sua posse, mas vai estar” ou “é uma memória, não um objecto”.

Estas e outras técnicas formam o que é conhecido por leitura a frio, um sistema usado pelos mentalistas para fazer afirmações vagas que o cliente vai interpretar como certeiras. Este sistema aproveita as muitas falhas do nosso cérebro, como por exemplo a memória selectiva (esquecermos o que não nos interessa) que juntamente com  a tendência de confirmação (darmos mais credibilidade à informação em que acreditamos) fará com que o cliente esqueça os erros do mentalista. No fim, jurará a pés juntos que “ele disse que a minha tia Gertrudes me deixou aquele relógio que uso sempre”.

Não passam de truques de circo, mas nas mãos de vigaristas têm o condão de esvaziar carteiras, como é o caso dos “trinta euros menos um” que a TVI, o canal do tele-lixo, e duas … pessoas querem subtrair a quem quiser ser enganado ao vivo em Leiria.

O texto pode ser consultado no Região de Leiria online.

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Para quem não sabe, a empresa que faz a treta do “depois da vida” é a mesma que faz a treta do “Até à Verdade” na  SIC. A empresa, de seu nome Planeta Ideal, tem um belo portefólio de vigaristas disponíveis.

No site deles ficamos a saber que para assistir ao “Depois da Vida” é preciso ir a um casting e na folha de inscrição para o casting é perguntado se nos morreu alguém nos últimos 3 meses. Giro, não?

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Para quem se interessa pelo assunto, aconselho estas duas belas (adjectivo talvez um pouco parcial) leituras:

Aprenda a ser um vidente em 10 lições; folheto traduzido por mim e que explica os truques usados no negócio

Fraudes, aldrabices e outras Parvoíces; folheto da minha autoria a explicar alguns erros cognitivos e como devemos ser mais criticos em relação ao que nos é dito/apresentado/impingido.

Crónica no Região de Leiria : A Migração

Crónica de 3 de Fevereiro

O texto desta semana :

São às centenas e todos os anos durante Janeiro e Fevereiro migram da Europa que se encontra debaixo de frio e gelo para a Europa com sol (sim, é aqui!). Alguns ficam só durante um fim-de-semana, outros ficam durante várias semanas e outros, como é o caso do multi-campeão do mundo e actual nº 1, o Francês Thierry Gueorgiou, vão e vêm de modo a estarem presentes nas 3 provas que se realizam em Portugal nesta época a contar para o campeonato do mundo.

Dessas 3 provas, uma vai ser realizada no concelho da Marinha Grande durante o fim-de-semana de 25 e 26 de Fevereiro e é uma oportunidade única de ver competir alguns dos melhores atletas do mundo.

Mas não é só isso, é muito mais. É uma oportunidade para sair da rotina, para contactar com outras realidades, outras pessoas e até de se aventurar a participar lado a lado com as “estrelas”. Lembra-se da fórmula da felicidade que apresentei na minha primeira crónica? Uma das leis dizia que “Podemos aumentar a nossa Felicidade aumentando o valor que damos ao que temos”.
É disto que tratava! Aproveitar o que de melhor temos à mão, não ficar em casa quando a festa esta à porta.

Não tenha vergonha, não tenha preguiça, não invente desculpas. O XIII Meeting de Orientação do Centro está aí e vai animar a Marinha Grande durante um fim-de-semana. Vai valer a pena ir ver e, porque não, participar.

O texto pode ser consultado no Região de Leiria online.

O site da prova pode ser consultado AQUI

e-mail enviado ao DN relativo a notícia sobre acupunctura

Assunto :  Noticia sobre acupunctura na capa do suplemento DN Classificados do dia 1 de Fevereiro

Pode ler-se no estudo citado no artigo e disponível na Internet : “encontrámos significantes, mas não clinicamente relevantes, benefícios para quase todos os resultados secundários nos três grupos de acupunctura em comparação com o grupo controle” e acaba com “Interpretação:  a acupunctura testada parece ter um efeito clinicamente menor/de pouca relevância sobre a profilaxia da enxaqueca em comparação com acupunctura falsa.” (tradução minha, favor ver texto original).

Infelizmente, e como de costume, os dados apresentados na noticia são tendenciosos e omitem os resultados que não confirmam o esperado por quem faz a noticia.Além disso, não é de menor importância referir que o estudo não é duplo-cego, ou seja, quem aplicava o tratamento sabia que estava aplicar um método de controle, e isso faz toda a diferença, especialmente quando estamos a falar de tratamentos cujo resultado é obtido graças aos “mimos” que são passados ao paciente e não graças ao tratamento em si.

Também é de  salientar que no site oficial do governo Norte-Americano em que este estudo foi registado não foram colocados dados sobres os resultados o que, na minha opinião, aconteceu porque os resultados não foram o que esperavam.

E depois de uma noticia tendenciosa sobre um estudo médico ainda se dão ao desplante de fazer publicidade. Fico com a ideia que aquilo não é uma noticia e sim um infomercial feito conscientemente e quem sabe até pago pelo Centro de Terapias Chinesas.
Podem consultar a noticia do estudo em : http://www.cmaj.ca/content/early/2012/01/09/cmaj.110551
Podem consultar o estudo aqui : http://clinicaltrials.gov/show/NCT00599586
Nota que devia ser desnecessária para jornalistas que usam estudos interpretados pelos interessados: nunca, mas nunca confiar nas sínteses/traduções feitas por eles.

 

ACTUALIZAÇÃO : Resposta do Provedor do DN (em tempo record!!!!, demorou menos de 2 hora)

Caro leitor Cláudio Tereso:

Procurei inteirar-me do assunto que me apresentou e fui informado de que o suplemento DN Classificados é inteiramente comercial, pelo que a questão foi remetida à Direção Comercial. Agradeço-lhe, no entanto, o alerta, que foi enviado ao diretor comercial, não vá dar-se o caso de o DN estar a incorrer, involuntariamente, em publicidade enganosa.

Com os meus melhores cumprimentos

Oscar Mascarenhas

Provedor do Leitor do DN

(provedordoleitor@dn.pt)

 

ACTUALIZAÇÃO 02/03/2011 :  Texto do provedor no DN de 18 de Feveiro

O segundo episódio surgiu porque um leitor muito atento, Cláudio Tereso, procurou confirmar informações no que pensou ser uma notícia. Tratava-se de um texto sobre os méritos da acupunctura no alívio de enxaquecas, publicado na primeira página do caderno “Classificados”. Como o texto referia conclusões de uma revista científica, o leitor deu-se ao trabalho de verificar e apurou que a publicação concluía exatamente o oposto do que era referido no texto do DN: a acupunctura tradicional chinesa não tem efeitos muito diferentes da sham acupuncture (acupunctura fingida) no alívio de enxaquecas.

Procurando saber como é que tal informação fora publicada no DN, fui informado pela Direção que a inserção do texto foi da responsabilidade da Direção Comercial. Esta confirmou que o artigo era “da responsabilidade do Centro de Terapias Chinesas, enviado pela agência de comunicação Inforpress”.

O leitor, aliás, já suspeitava que fosse um artigo publicitário, mas protestava pelo facto de não aparecer qualquer referência expressa a publicidade. “Defendeu-se” a Direção Comercial: “Efetivamente, o 2.º caderno do DN é na sua totalidade um caderno comercial, logo toda a informação aí contida é de âmbito comercial pelo que, automaticamente, se encontra ao abrigo da publicidade.”

A verdade é que a explicação não convenceu o leitor – nem a mim. Na mesma página em que aparece esse artigo há três pequenas referências “Publicidade” a outros tantos anúncios. Se o artigo principal não a tem é porque não é “Publicidade” – ou alguém quer deixar o leitor no equívoco. E tem sido essa a prática em todas as primeiras páginas do caderno “Classificados”. Isso é inaceitável. A Direção do jornal, como primeira responsável por tudo quanto nele se publica, seja informação, seja publicidade, informou-me que vai por termo a esta “ratoeira” ao leitor.

in DN

ACTUALIZAÇÃO 02/03/2011

Estive agora a consultar o DN e o artigo de capa do caderno “Classificados” do DN já vem enquadrado com a indicação: “CONTEÚDO COMERCIAL”.

palminhas para mim … :- )

Crónica no Região de Leiria : Liberdade vs Respeito

Crónica de 13 de Janeiro

O texto desta semana :

Que todos temos direitos e liberdades é do conhecimento geral. O que já não parece ser tão conhecido é que o exercício das nossas liberdades acaba no direito dos outros. É uma regra básica de uma sociedade funcional: é preciso respeitar o direitos dos outros se queremos que eles respeitem os nossos.
Encontrar o equilíbrio entre liberdades de uns e de outros é uma tarefa mais difícil do que parece e depende de bom senso e respeito, bens que parecem estar em falta no mercado.

O comportamento em salas de espectáculos é particularmente complicado. Existe em Leiria mais de uma dúzia de restaurantes de pipocas onde projectam filmes. Apesar de à entrada estar escrito “cinema”, é sabido que nesses espaços há a liberdade de comer, beber, conversar, usar o telemóvel e estar nos “melos”. Tudo liberdades que interferem com o direito das pessoas que pagaram bilhete para ver o filme.
Mas o normal nesses espaços é o exercício dessas liberdades e quem lá vai já sabe o que vai encontrar e só se tem de respeitar e aceitar. Se não lhe agrada a ideia, o melhor é não ir.

Em alternativa, existe uma sala, o Teatro Miguel Franco, onde as pessoas vão para exercer o seu direito de Ver cinema. Será pedir muito que, pelo menos aí, esse direito seja respeitado e que as pessoas abdiquem, durante duas horas, das liberdades que incomodam quem quer Apreciar um espectáculo?

O texto pode ser consultado no Região de Leiria online.

Já agora, podem ouvir o Bruno Nogueira sobre o mesmo assunto :  Cinema no Zoo

Aperfeiçoamento Filosófico do dia : Deus

Deus é a desculpa fácil às perguntas para as quais não temos uma resposta boa e é consequência da nossa dificuldade em aceitar a resposta “não sei”.

A minha teoria anterior dizia que “Deus é a resposta fácil…”, mas parece-me um exagero. Uma resposta, mesmo fácil, tem de ter algum sentido, alguma verdade por mais pequena ou incompleta que seja.

Por Exemplo:

Pergunta:
Pai, de onde vêm os bébés?

Resposta Fácil:
Quando um homem e uma mulher gostam muito um do outro,  o homem mete uma semente na barriga da mãe.

Desculpa Fácil: 
Vêm de Paris trazidos por uma cegonha.

Crónica no Região de Leiria : falam, falam…

 

Crónica de 23 de Dezembro

O texto desta semana, em versão completa (sem “censura” imposta pela ditadura do espaço e número de caracteres), mas que é praticamente igual ao publicado,  foi :

“A participação em actividades políticas para além do voto varia substancialmente entre os países europeus. É mais alta na Noruega e Finlândia e menor na Turquia e Portugal.” 

Este parágrafo, tirado do relatório da OCDE “How’s Life? Measuring Well Being” (Como Está a Vida? Medindo o Bem-Estar, OCDE Publishing, 2011), com dados de um inquérito de 2008 feito em 23 países europeus, não traz nada de novo sobre os Portugueses, mas é sempre importante termos as nossas percepções confirmadas por dados empíricos.

São desanimadoras as baixas taxas de participação dos portugueses em relação à média Europeia. Por exemplo,conseguimos um “excelente” último lugar na pergunta “já boicotou algum produto”, com 3,2% a responderem afirmativamente (a média foi de 14,4% e no topo temos a Suécia com 37,3%).
E se vos parece um indicador parvo, desenganem-se! A economia tem muito poder, mais que a política, e por acaso até manda nela. Se há actividade simples que podemos exercer para influenciar o nosso “ecossistema” social/político/económico é boicotar produtos/marcas.

Foi por isso sem surpresa que li no Região de Leiria de 25 de Novembro sobre a baixa participação dos batalhanses na elaboração do orçamento municipal.

Enfim, nada de novo… Os Portugueses falam, falam, mas só quando não vale a pena. Porque quando lhes perguntam alguma coisa, ficam calados.

O texto publicado pode ser consultado no Região de Leiria online.

JCN e o Natal

João César das Neves escreveu no DN um conto de Natal que só lembra ao Diabo.

Podem ler aqui e aqui. Em resposta enviei ao DN o seguinte e-mail:

Já não nos bastava termos os políticos a enfiarem-nos a austeridade pela goela abaixo enquanto nos tentam convencer que a culpa do estado da economia é nossa e o caminho por onde nos querem levar é para nosso bem. Pelo vistos, temos também de aturar os religiosos a dizerem-nos que não só devemos aceitar este caminho, mas que o devemos fazer  caladinhos e até ficarmos agradecidos por podermos mostrar o nosso valor nesta dura provação. Não há nada mais hipócrita que vir, de barriga cheia, dizer a quem vai passar fome, que deve aceitar esse fardo (como um burro carrega o seu) que isso o levará ao céu. Pensei que já nos tínhamos visto livre deste discurso há uns séculos atrás, mas pelos vistos está de volta e como não podia deixar de ser pela mão de João César das Neves que no seu conto de Natal em forma de evangelho da desgraça divide as pessoas entre “grandes apóstolos, os mártires heróicos, pastores atentos, doutores sublimes, virgens puras, santos incomparáveis” e nós, as pessoas normais, aliás os burros. É um texto medonho, sem qualquer respeito pela igualdade entre as pessoas, uma memória de tempos passados e que não traz nada de bom. Ler os textos de JCN e ouvir Ratzinger apelar à humildade dentro das suas vestes douradas é uma amostra da sua visão distorcida do mundo: eles de barriga cheia com direito automático ao céu por serem doutores, e nós, os burros, que temos direito ao céu se aceitarmos caladinhos o que nos querem impor. Esta conversa da treta funcionou em tempos quando os “doutores” conseguiam manter as pessoas analfabetas, não funcionará agora.

Como estava com a mão na massa respondi também a esta crónica do Anselmo Borges:

Publicado muito ligeiramente modificado abreviado na secção de leitores do DN em 30/12/2011

É hilariante ver Anselmo Borges, um representante de uma religião que dominou o mundo durante séculos usando como arma a interpretação tendenciosa e interesseira de um conjunto de textos de ficção, vir-se queixar de José Rodrigues dos Santos fazer o mesmo. Os estudiosos da bíblia sabem perfeitamente que a esmagadora maioria da bíblia é ficção. Sabem que quem escreveu a bíblia nunca conheceu Jesus o que torna as suas histórias, e até a existência de Jesus, muito provavelmente falsas. Sabem, mas não se preocupam, o que interessa é os crentes não saibam. Não lhes interessada se os textos são falsos ou verdadeiros, basta-lhe que os crentes acreditem. e sempre  que sai a publico informação que coloca as pessoas a duvidar, ficam histéricos e reagem dizendo “…mas isso não é novidade nenhuma”. Sinceramente, já não há paciência para tanta hipocrisia e falsidade.

Crónica no Região de Leiria : A Morte Anunciada

Crónica de 2 de Dezembro

Quem leu a minha primeira crónica não fique com muitas expectativas, esta está muitos alguns 😉  furos abaixo. Já agora em relação a essa crónica saliento que não é uma crónica contra a riqueza e os bens materiais, mas a favor da cultura, da “rua” e das pequenas coisas. Há uma grande diferença 🙂

O texto desta semana, em versão completa (sem “censura” imposta pela ditadura do espaço e número de caracteres) foi :

Aproxima-se uma época especial. Após três meses a baixar, o Sol atinge o seu ponto mais baixo no horizonte para voltar a subir. É o solstício de Inverno e para os povos antigos, que obviamente não sabiam astronomia, representava o fim do perigo de o Sol continuar a descer para nunca mais nascer, mergulhando-os numa noite eterna. Desde a antiguidade essa época é, por isso, celebrada como o (re)nascimento do deus Sol e ao longo da história foi incorporado em diversas tradições sob a forma de data de nascimento de deuses, como é o caso de Mitra, Dionísio ou Jesus.

 Os tempos das superstições estão a desaparecer rapidamente, mas o evento continua a ser celebrado de uma maneira especial e única do ano. É a altura em que após um ano a ignorarem os problemas alheios as pessoas são inundadas pelo famoso espírito natalício, tão intenso como efémero. Mas também é altura de sentimentos genuínos, pois é o pretexto por excelência para reencontros familiares, e é celebrado com grandes jantaradas e abundância de lembranças gerando o consumismo, mal-amado por muitos mas inegavelmente ligado a esta época.

 Mas o que é consumismo para uns é sobrevivência para outros. Muitos são os estabelecimentos comerciais que atravessam o ano com dificuldade na esperança de equilibrarem as contas nesta altura do ano. Infelizmente, cada vez mais as pessoas recorrem aos “shoppings”, abandonando o comércio tradicional e os centros das cidades, condenando ambos a uma morte inglória (como já aconteceu na Marinha Grande).

 Evitar esse desfecho é um dos desafios do poder local e não me parece que a opção de cruzar os braços em nome da contenção orçamental seja o caminho a seguir. É nas alturas difíceis que se vêm os grandes decisores e estou certo que muito pode ser feito com criatividade e cooperação entre as partes envolvidas.

O texto publicado pode ser consultado no Região de Leiria online.

sejamos ridículos!