Crónica no Região de Leiria : Coisas e Coisos

Crónica de 29 de Junho no Região de Leiria.

No FaceBook do Região de Leiria costumam colocar uma foto da página do jornal que contêm os artigos de opinião e um pequeno texto sobre os artigos.
Esta semana escreveram “Cláudio Tereso fala da sua viagem a uma exposição na Marinha Grande”. Ahah, certo, certo.

Eu gosto de Coisas. Sou por vocação e oportunidade um viajante ocasional e sempre que posso deixo a Marinha Grande e vou à descoberta. Não sou esquisito com o tipo de destino, mas sou particularmente fã de grandes cidades. Nelas há sempre muito para ver, muitos pormenores, muitas Coisas. Gosto de observar as pessoas na sua rotina, apreciar os edifícios, visitar os bares, passear nos parques e gosto especialmente de arte urbana. Nada como objectos coloridos ou cinzentos, disformes ou nem por isso, despropositados ou contextualizados, largados ao acaso por uma cidade para me deixar bem disposto.

E foi isso que aconteceu um dia destes ao entrar no Parque da Cerca no centro da Marinha ao deparar-me com a exposição de arte urbana que lá se encontra instalada. Senti-me transportado para uma Cidade onde acontecem Coisas, uma cidade onde dá gosto viver. Uma sensação rara aqui por estes lados.

 Eu não gosto de Coisos. Quem diz Coisos, diz selvagens, grunhos, vândalos. Não se costumam ver, mas andam por todo o lado e não são esquisitos. Tanto apreciam pavilhões desportivos (Alvaiázere), como percursos na natureza (Pia do Urso e Bezerra) e também, pelos vistos, arte urbana. É verdade que têm bom gosto, mas a sua maneira de apreciar não me entusiasma muito. Preconceito meu, talvez.

 PS: Já foram ver a exposição? Não? Então do que estão à espera?

 

O texto também pode ser lido no site do Região de Leira ou na edição em PDF do Região de Leiria.

Saudades do JCN

Já há muito tempo que não escrevia para o DN por causa do meu amigo JCN 🙂

Quebrei o jejum para responder a ESTA parvoíce:

Será possível que o João César das Neves acredita no que escreve ou limita-se a pregar dogmatismo para o “povo”? É que Imaginar uma pessoa que dá aulas universitárias e acredita realmente na existência do diabo, dá-me arrepios.

Como o próprio JCN diz, já nem a religião tenta vender essas estórias da carochinha aos seus seguidores. E ele que não pense que é por a sociedade estar secularizada. É simplesmente porque a ideia da existência do diabo, ideia essa criada pela religião para criar medo às pessoas e melhor as poder controlar, é tão ridícula que já não convence ninguém, nem os seus próprios inventores.

Intriga-me o que vai na cabeça de uma pessoa para escrever este tipo de textos. Ele está isolado ou escreve como representante de algum grupo de saudosistas do poder religioso? O que pretende ele obter com este tipo de discurso? O retorno desse poder?

Crónica no Região de Leiria : Gigantes Entre Nós

Crónica de 8 de Junho.
Desde já as minhas desculpas ao CFAE do Concelho de Alcobaça e Nazaré que, por motivos de falta de espaço, não foi mencionado na crónica.
A  conferência na Nazaré mencionada na crónica pertence a um ciclo de conferências organizado por esse centro.

Espero que gostem da crónica, é provavelmente a minha favorita 😉

Nunca se soube tanto sobre tanta coisa e no futuro saberemos ainda mais. O acumular de conhecimento que temos deve-se única e exclusivamente a nós, humanos, e à nossa curiosidade de aumentar o nosso saber. O nosso grande cérebro permite-nos ser curiosos, observar, descrever, teorizar. Tudo actividades fundamentais para aumentar o conhecimento, que não seriam úteis se não o pudéssemos preservar e partilhar.

Felizmente, a evolução dotou-nos da capacidade de efectuar uma ampla variedade de sons, que usamos para expressar as nossas ideias e formular as nossas dúvidas. É que apesar de o repositório do conhecimento por excelência serem as palavras escritas, elas dificilmente poderiam ter sido escritas com tanta sabedoria se não fossem antes discutidas oralmente. É a feliz conjugação de um bom pensador com um bom orador que transforma um Homem num gigante; poder ouvir e até debater com um deles é um privilégio e sem dúvida a melhor maneira de aprender e de ver mais longe.

Infelizmente, os gigantes não costumam aparecer aqui pela província tanto quanto seria desejável, mas recentemente fomos brindados com a presença do Carlos Fiolhais que veio à Livraria Arquivo falar da história da ciência em Portugal e do Cláudio Torres que na Biblioteca Municipal da Nazaré nos falou de arqueologia e islamismo em Portugal. Excelentes conferências, venham mais!

O texto também pode ser consultado  no Região de Leiria online e na edição em PDF do Região de Leiria.

Crónica no Região de Leiria : Adaptados ou parasitas?

Crónica de 18 de Maio.

A minha opinião sobre o Darwinismo social aproveitando os descontos do Pingo Doce como exemplo.

Na minha cabeça estava melhor, mas a passar para o papel perdeu-se um bocadito, em parte por falta de jeito, em parte por falta de espaço.

 

“A sobrevivência dos mais aptos” é uma expressão usada para descrever a teoria da evolução de Darwin e significa, grosso modo, que as espécies menos adaptadas perdem a corrida da sobrevivência para as mais bem adaptadas.

Desta teoria nasceu o darwinismo social, que prevê que os indivíduos melhor adaptados serão os “sobreviventes” das batalhas sociais. No extremo, esta teoria pode ser usada para desculpar e até louvar atitudes egoístas e pouco éticas que, por vezes, encaixam perfeitamente no termo tão português que é o “desenrascanço”.

Eu refuto este extremismo do vale tudo em nome da “sobrevivência”, porque na espécie humana, como em muitas outras, quem tem de ser o mais apto para sobreviver não é o individuo, mas sim a sociedade, e esta deve ser encarada como um ser vivo. Só sobrevivem as sociedades nas quais a maioria dos elementos coopera para o bem geral e os indivíduos que não funcionam segundo esta lógica agem como parasitas que corroem essa mesma sociedade.

Sem prejuízo para outros tipos de parasitas, parecem-me dignos de reflexão os desacatos que aconteceram um pouco por todo o país causados por “simples” descontos. Foi em nome deles que pessoas roubaram, empurraram e desrespeitaram. Penso que é uma desculpa fraca para o que se passou e serve para nos alertar para o que pode acontecer se houver uma verdadeira situação de emergência.

O texto pode ser consultado no Região de Leiria online e na edição em PDF do Região de Leiria.

Crónica no Região de Leiria : Deus não Mora em Lojas

Crónica de 27 de Abril .

Pensei que era desta que ia ter direito a hate mail, mas pelos vistos ninguém me liga 😉

Deus é a resposta fácil às perguntas para as quais não temos uma resposta boa e é consequência da nossa dificuldade em aceitar a resposta “não sei”.

Por mais que não o aceitemos, há situações na vida que estão fora do nosso controle, dependem do acaso e de variáveis que não dominamos e não é por rezar ou fazer sacrifícios que elas mudam. Se é verdade que se obtém com essas atitudes algum conforto psicológico, não é menos verdade que o preço a pagar é por vezes demasiado alto.

É em nome desse conforto e na procura dessas inócuas respostas que todos os anos milhares de pessoas põem em causa a sua saúde com peregrinações fisicamente duras e muitas vezes também o seu sustento com donativos incompreensíveis. É penoso ir a Fátima nesta altura do ano e ver, na loja de promessas que é o Santuário, pessoas a humilharem-se porque têm a triste ilusão que os lojistas têm uma cunha com Deus e que Ele ficará agradado por os ver de joelhos naquele local.

Nunca percebi esse conceito de um Deus bondoso que exige sacrifícios aos seus seguidores e omnipresente mas que precisa de ser contactado através de intermediários. É provável que a “simples” Razão não seja suficiente para entender este fenómeno e que para o fazer seja necessário ser “abençoado” com Fé. Mas a fé, mais que o amor, é cega e como tal má conselheira, por isso acho que dispenso o privilégio.

O texto pode ser consultado no Região de Leiria online.

Crónica no Região de Leiria : Elogio à Bicicleta

Crónica de 5 de Abril :

É com grande agrado que vejo aumentar no distrito, ano após ano (pelo menos nas zonas que frequento regularmente), a oferta de infra-estruturas para quem quer usar uma bicicleta nos seus tempos de lazer. São já muitas dezenas de quilómetros que podem ser feitos em pistas próprias em total segurança e também muitos os trilhos fora de estrada marcados para os ciclistas todo-o-terreno fazerem o gosto ao pedal. 

E o mais importante também não falta, pessoas dispostas a usar toda esta oferta. Dá gosto ver que são cada vez mais as que usam a bicicleta nos seus momentos de lazer, mas curiosamente é mesmo só nesses momentos.

Este hábito de andar de bicicleta teima em não passar para o quotidiano, o que me surpreende e parece-me que muitas das desculpas usadas não fazem sentido. Quem conhece a Europa, especialmente de França para “cima”, já pôde constatar que mesmo quando faz frio ou chove, mesmo quando há inclinações, mesmo quando não há pistas, é normal ver pessoas a usar a bicicleta no dia a dia. Pelos nossos lados, nem os estudantes universitários as usam.

É certo que há outros motivos, e alguns eventualmente mais válidos, mas não é possível que todas as pessoas os tenham todos os dias. O nosso clima é ameno e o terreno de desníveis suaves, não acham que vai sendo tempo de deixar de precisar do automóvel como se do ar que respiramos se tratasse?

O texto pode ser consultado no Região de Leiria online.

Crónica no Região de Leiria : Maravilhas ou Negociatas?

Crónica de 16 de Março :

Não podia estar mais de acordo com o Rui Tavares quando escreve no Público de 5 de Março que “Aquilo de que precisamos mais do que nunca, num jornal, é uma explicação de como as coisas funcionam. As pessoas já sabem das notícias, já ouviram os comentários, mas continuam a querer tentar entender como funcionam as coisas.”

Por exemplo, não preciso de um jornal que me diga que o arroz de marisco da Praia da Vieira foi eleito como uma das 7 Maravilhas Gastronómicas de Portugal. O que eu quero saber é quanto custou e a quem. E não me refiro só ao valor da candidatura, devem existir montantes “escondidos”, desde gastos com publicidade a jantares oficiais, entre outros que nem imagino e que temos o direito de saber. E além disso, passados 6 meses, e com o prémio esquecido por quase todos, convém apurar resultados e descobrir se valeu a pena, ou seja, houve impacto mensurável na economia local?

Porque uma coisa é certa, ao ritmo que as empresa organizadoras, a EIPWU e a New 7 Wonders Portugal, vão inventando concursos, não tenho dúvidas que, pelo menos para eles, vale a pena. Para quem paga, e que normalmente são entidades públicas, é que já não sei. E visto que estamos à beira de mais uma euforia incompreensível à volta de maravilhas, desta vez em versão praia e mais uma vez paga, pelo menos parcialmente com dinheiros públicos, gostava de saber.

O texto pode ser consultado no Região de Leiria online.

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Este assunto cheira-me MUITO a esturro. Já tinha escrito sobre ele AQUI (não é muito diferente, mas tem alguma informação que não coube no artigo).

Só por curiosidade alguém acha mesmo possível o turismo dos Açores ter pago 1,5 milhões de Euros pela organização da festarola sem ter garantido que recebia uma ou duas maravilhas independentemente da votação das pessoas?

O mundo dos concursos com votação é uma diversão.  Sabem que há empresas que inventam prémios para dar aos clientes para eles poderem na sua publicidade dizer “votado pelos consumidores como a melhor marca de <escolher categoria>”?
Não há votação nenhuma, mas como ninguém investiga, tudo bem…

Crónica no Região de Leiria : Trinta euros menos um

Crónica de 24 de Fevereiro :

“Um familiar que faleceu deixou-lhe alguma coisa a que dá muito valor”. Esta é uma frase que pode ouvir de um mentalista/médium e que se aplica a muitas pessoas, afinal todos temos familiares que já faleceram. Se a isso juntarmos o facto de quem recorre a um mentalista estar potencialmente fragilizado e agarrado a recordações do falecido, há uma probabilidade muito forte de a afirmação estar certa. No caso de estar errada, pode-se sempre dizer “ainda não está na sua posse, mas vai estar” ou “é uma memória, não um objecto”.

Estas e outras técnicas formam o que é conhecido por leitura a frio, um sistema usado pelos mentalistas para fazer afirmações vagas que o cliente vai interpretar como certeiras. Este sistema aproveita as muitas falhas do nosso cérebro, como por exemplo a memória selectiva (esquecermos o que não nos interessa) que juntamente com  a tendência de confirmação (darmos mais credibilidade à informação em que acreditamos) fará com que o cliente esqueça os erros do mentalista. No fim, jurará a pés juntos que “ele disse que a minha tia Gertrudes me deixou aquele relógio que uso sempre”.

Não passam de truques de circo, mas nas mãos de vigaristas têm o condão de esvaziar carteiras, como é o caso dos “trinta euros menos um” que a TVI, o canal do tele-lixo, e duas … pessoas querem subtrair a quem quiser ser enganado ao vivo em Leiria.

O texto pode ser consultado no Região de Leiria online.

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Para quem não sabe, a empresa que faz a treta do “depois da vida” é a mesma que faz a treta do “Até à Verdade” na  SIC. A empresa, de seu nome Planeta Ideal, tem um belo portefólio de vigaristas disponíveis.

No site deles ficamos a saber que para assistir ao “Depois da Vida” é preciso ir a um casting e na folha de inscrição para o casting é perguntado se nos morreu alguém nos últimos 3 meses. Giro, não?

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Para quem se interessa pelo assunto, aconselho estas duas belas (adjectivo talvez um pouco parcial) leituras:

Aprenda a ser um vidente em 10 lições; folheto traduzido por mim e que explica os truques usados no negócio

Fraudes, aldrabices e outras Parvoíces; folheto da minha autoria a explicar alguns erros cognitivos e como devemos ser mais criticos em relação ao que nos é dito/apresentado/impingido.

Crónica no Região de Leiria : A Migração

Crónica de 3 de Fevereiro

O texto desta semana :

São às centenas e todos os anos durante Janeiro e Fevereiro migram da Europa que se encontra debaixo de frio e gelo para a Europa com sol (sim, é aqui!). Alguns ficam só durante um fim-de-semana, outros ficam durante várias semanas e outros, como é o caso do multi-campeão do mundo e actual nº 1, o Francês Thierry Gueorgiou, vão e vêm de modo a estarem presentes nas 3 provas que se realizam em Portugal nesta época a contar para o campeonato do mundo.

Dessas 3 provas, uma vai ser realizada no concelho da Marinha Grande durante o fim-de-semana de 25 e 26 de Fevereiro e é uma oportunidade única de ver competir alguns dos melhores atletas do mundo.

Mas não é só isso, é muito mais. É uma oportunidade para sair da rotina, para contactar com outras realidades, outras pessoas e até de se aventurar a participar lado a lado com as “estrelas”. Lembra-se da fórmula da felicidade que apresentei na minha primeira crónica? Uma das leis dizia que “Podemos aumentar a nossa Felicidade aumentando o valor que damos ao que temos”.
É disto que tratava! Aproveitar o que de melhor temos à mão, não ficar em casa quando a festa esta à porta.

Não tenha vergonha, não tenha preguiça, não invente desculpas. O XIII Meeting de Orientação do Centro está aí e vai animar a Marinha Grande durante um fim-de-semana. Vai valer a pena ir ver e, porque não, participar.

O texto pode ser consultado no Região de Leiria online.

O site da prova pode ser consultado AQUI

e-mail enviado ao DN relativo a notícia sobre acupunctura

Assunto :  Noticia sobre acupunctura na capa do suplemento DN Classificados do dia 1 de Fevereiro

Pode ler-se no estudo citado no artigo e disponível na Internet : “encontrámos significantes, mas não clinicamente relevantes, benefícios para quase todos os resultados secundários nos três grupos de acupunctura em comparação com o grupo controle” e acaba com “Interpretação:  a acupunctura testada parece ter um efeito clinicamente menor/de pouca relevância sobre a profilaxia da enxaqueca em comparação com acupunctura falsa.” (tradução minha, favor ver texto original).

Infelizmente, e como de costume, os dados apresentados na noticia são tendenciosos e omitem os resultados que não confirmam o esperado por quem faz a noticia.Além disso, não é de menor importância referir que o estudo não é duplo-cego, ou seja, quem aplicava o tratamento sabia que estava aplicar um método de controle, e isso faz toda a diferença, especialmente quando estamos a falar de tratamentos cujo resultado é obtido graças aos “mimos” que são passados ao paciente e não graças ao tratamento em si.

Também é de  salientar que no site oficial do governo Norte-Americano em que este estudo foi registado não foram colocados dados sobres os resultados o que, na minha opinião, aconteceu porque os resultados não foram o que esperavam.

E depois de uma noticia tendenciosa sobre um estudo médico ainda se dão ao desplante de fazer publicidade. Fico com a ideia que aquilo não é uma noticia e sim um infomercial feito conscientemente e quem sabe até pago pelo Centro de Terapias Chinesas.
Podem consultar a noticia do estudo em : http://www.cmaj.ca/content/early/2012/01/09/cmaj.110551
Podem consultar o estudo aqui : http://clinicaltrials.gov/show/NCT00599586
Nota que devia ser desnecessária para jornalistas que usam estudos interpretados pelos interessados: nunca, mas nunca confiar nas sínteses/traduções feitas por eles.

 

ACTUALIZAÇÃO : Resposta do Provedor do DN (em tempo record!!!!, demorou menos de 2 hora)

Caro leitor Cláudio Tereso:

Procurei inteirar-me do assunto que me apresentou e fui informado de que o suplemento DN Classificados é inteiramente comercial, pelo que a questão foi remetida à Direção Comercial. Agradeço-lhe, no entanto, o alerta, que foi enviado ao diretor comercial, não vá dar-se o caso de o DN estar a incorrer, involuntariamente, em publicidade enganosa.

Com os meus melhores cumprimentos

Oscar Mascarenhas

Provedor do Leitor do DN

(provedordoleitor@dn.pt)

 

ACTUALIZAÇÃO 02/03/2011 :  Texto do provedor no DN de 18 de Feveiro

O segundo episódio surgiu porque um leitor muito atento, Cláudio Tereso, procurou confirmar informações no que pensou ser uma notícia. Tratava-se de um texto sobre os méritos da acupunctura no alívio de enxaquecas, publicado na primeira página do caderno “Classificados”. Como o texto referia conclusões de uma revista científica, o leitor deu-se ao trabalho de verificar e apurou que a publicação concluía exatamente o oposto do que era referido no texto do DN: a acupunctura tradicional chinesa não tem efeitos muito diferentes da sham acupuncture (acupunctura fingida) no alívio de enxaquecas.

Procurando saber como é que tal informação fora publicada no DN, fui informado pela Direção que a inserção do texto foi da responsabilidade da Direção Comercial. Esta confirmou que o artigo era “da responsabilidade do Centro de Terapias Chinesas, enviado pela agência de comunicação Inforpress”.

O leitor, aliás, já suspeitava que fosse um artigo publicitário, mas protestava pelo facto de não aparecer qualquer referência expressa a publicidade. “Defendeu-se” a Direção Comercial: “Efetivamente, o 2.º caderno do DN é na sua totalidade um caderno comercial, logo toda a informação aí contida é de âmbito comercial pelo que, automaticamente, se encontra ao abrigo da publicidade.”

A verdade é que a explicação não convenceu o leitor – nem a mim. Na mesma página em que aparece esse artigo há três pequenas referências “Publicidade” a outros tantos anúncios. Se o artigo principal não a tem é porque não é “Publicidade” – ou alguém quer deixar o leitor no equívoco. E tem sido essa a prática em todas as primeiras páginas do caderno “Classificados”. Isso é inaceitável. A Direção do jornal, como primeira responsável por tudo quanto nele se publica, seja informação, seja publicidade, informou-me que vai por termo a esta “ratoeira” ao leitor.

in DN

ACTUALIZAÇÃO 02/03/2011

Estive agora a consultar o DN e o artigo de capa do caderno “Classificados” do DN já vem enquadrado com a indicação: “CONTEÚDO COMERCIAL”.

palminhas para mim … :- )

sejamos ridículos!