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JCN e o Natal

João César das Neves escreveu no DN um conto de Natal que só lembra ao Diabo.

Podem ler aqui e aqui. Em resposta enviei ao DN o seguinte e-mail:

Já não nos bastava termos os políticos a enfiarem-nos a austeridade pela goela abaixo enquanto nos tentam convencer que a culpa do estado da economia é nossa e o caminho por onde nos querem levar é para nosso bem. Pelo vistos, temos também de aturar os religiosos a dizerem-nos que não só devemos aceitar este caminho, mas que o devemos fazer  caladinhos e até ficarmos agradecidos por podermos mostrar o nosso valor nesta dura provação. Não há nada mais hipócrita que vir, de barriga cheia, dizer a quem vai passar fome, que deve aceitar esse fardo (como um burro carrega o seu) que isso o levará ao céu. Pensei que já nos tínhamos visto livre deste discurso há uns séculos atrás, mas pelos vistos está de volta e como não podia deixar de ser pela mão de João César das Neves que no seu conto de Natal em forma de evangelho da desgraça divide as pessoas entre “grandes apóstolos, os mártires heróicos, pastores atentos, doutores sublimes, virgens puras, santos incomparáveis” e nós, as pessoas normais, aliás os burros. É um texto medonho, sem qualquer respeito pela igualdade entre as pessoas, uma memória de tempos passados e que não traz nada de bom. Ler os textos de JCN e ouvir Ratzinger apelar à humildade dentro das suas vestes douradas é uma amostra da sua visão distorcida do mundo: eles de barriga cheia com direito automático ao céu por serem doutores, e nós, os burros, que temos direito ao céu se aceitarmos caladinhos o que nos querem impor. Esta conversa da treta funcionou em tempos quando os “doutores” conseguiam manter as pessoas analfabetas, não funcionará agora.

Como estava com a mão na massa respondi também a esta crónica do Anselmo Borges:

Publicado muito ligeiramente modificado abreviado na secção de leitores do DN em 30/12/2011

É hilariante ver Anselmo Borges, um representante de uma religião que dominou o mundo durante séculos usando como arma a interpretação tendenciosa e interesseira de um conjunto de textos de ficção, vir-se queixar de José Rodrigues dos Santos fazer o mesmo. Os estudiosos da bíblia sabem perfeitamente que a esmagadora maioria da bíblia é ficção. Sabem que quem escreveu a bíblia nunca conheceu Jesus o que torna as suas histórias, e até a existência de Jesus, muito provavelmente falsas. Sabem, mas não se preocupam, o que interessa é os crentes não saibam. Não lhes interessada se os textos são falsos ou verdadeiros, basta-lhe que os crentes acreditem. e sempre  que sai a publico informação que coloca as pessoas a duvidar, ficam histéricos e reagem dizendo “…mas isso não é novidade nenhuma”. Sinceramente, já não há paciência para tanta hipocrisia e falsidade.

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7 Maravilhas, para que conste

É um “concurso” organizado por uma empresa chamada EIPWU, Lda (NIF 508318939), que se tem site está bem escondido.

A empresa NEW SEVEN WONDERS PORTUGAL, S.A.  (NIF 507800052) detêm a marca “7 maravilhas de Portugal” que suponho seja um franchising da marca “New 7 Wonders” e suponho que delegou na EIPWU a organização deste evento.

Não sei quem paga a fatia maior destes festins, mas muito cai em cima dos municípios que pagam em troca de, julgo eu, receitas de turismo.

Não passa de um negócio, um franchising, que enche os bolsos a essas empresas enquanto anda toda a gente a falar da alheira e do chouriço.
E não esquecer que é um evento nacional, não traz turismo de fora.

Será que compensa aos municípios o dinheiro que gastam com esta brincadeira? Não sei.  Mas acho útil sabermos exactamente do que se trata e que alguém com mais informação sobre o assunto que investigue .

Só para terem uma ideia:

Turismo de Lisboa e Vale do Tejo->EIPWU:
Adjudicação no procedimento de ajuste directo para a organização, promoção e gestão da realização do evento As 7 Maravilhas da Gastronomia, na cidade de Santarém
487.500,00 €

Associação Turismo Açores->New Seven Wonders Portugal, SA:
Prestação de serviços de organização e promoção da realização do evento “As 7 Maravilhas Naturais de Portugal®” no Arquipélago dos Açores
1.550.000,00 € 

Se quiserem ver o resto vão a: http://www.base.gov.pt/base2/html/pesquisas/contratos.shtml?tipo=1 e coloquem os NIFs das ditas empresas.

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ADENDA:

10/05/2012 :  Há umas semanas escrevi no Região de Leiria uma crónica sobre o mesmo assunto.

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BNI ou Como o marketing agressivo à Americana (somos bons, somos muito bons) vai enganando os ingénuos

Tinha aqui este assunto pendurado à espera de encontrar mais informação, mas o tempo passou e não consegui reunir mais dados. Não vou procurar activamente mais informação, mas se entretanto me cair nas mãos, eu público aqui. Isto é (mais ou menos) o que tinha escrito como comentário no Facebook sobre o artigo do Região de Leiria:

Fartei-me de procurar e (ainda) não encontrei provas conclusivas de que estamos a falar de um esquema em pirâmide. Mas já encontrei algumas referências a isso (com directores e afins a ficarem com parte das anuidades) e espero entretanto ter mais dados.
Mas a uma conclusão cheguei: o BNI é um culto! É definitivamente mais uma daquelas empresas que usam marketing agressivo para colocar os clientes/sócios na defensiva. Tem regras rígidas e usa esquemas de motivação “à Americana” (muitas palmas para os “bons” e BUUUUSSS para os “maus”) e que além disso vende toneladas de merchandising.

Os “chapters” (é o termo usado em Inglês para cada grupo, a fazer lembrar um livro religioso) vivem de novos sócios (para a BNI os vossos hipotéticos negócios não interessam nada, o que interessa são as anuidades/vendas de merchandising/pequenos almoços), e a sua busca agressiva é incentivada. Preparem-se para começar a ser “melgados” para ir assistir a uma missa/reunião.

Em termos de resultados práticos, o que consegui apurar é que em média em cada “chapter” há um ou dois clientes/membros que ganham muito e os restantes perdem (aplica-se a lei de Pareto:20% vão ganhar 80%).

Comparem muito bem os custos /benefícios de pertencer ao BNI ou a uma associação normal (tipo NERLEI) antes de aderirem.

E se estão a pensar aderir, leiam isto antes (artigo e comentários):

http://www.grumpynerd.com/?p=10%C2%B4

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Actualização 26/11/2011
Este artigo tem tido sido relativamente bem visitado, infelizmente ninguém pontua ou deixa comentário.
Se alguém se desse ao trabalho de o fazer agradecia.
Tenho realmente interesse em perceber que tipo de artigo vêm à procura,  o que é que achavam do BNI, se mudaram de ideias, se acham que sou parvo …
Actualização 7/10/2011:  O site BNI SUCKS desapareceu do mapa e não deixou rasto…
Actualização 18/4/2011 :  Video a explicar o problema do optimismo palerma  : RSA Animate – Smile or Die
Actualização 5/4/2011 :  O moço do site acima mencionado criou o site  BNI SUCKS

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“Obrigadinho pela vergonha”

Coluna do Ferreira Fernandes no DN de 3/3/2011:

A todos os bancários com 58 anos que estão há dez anos na reforma. A todos os jornalistas com dentaduras como teclados de piano pagas quase de borla antes que lhes tirassem essa trafulhice. A todos os maus professores que subiram na carreira só porque passaram tantos anos no ensino quanto os passados pelos bons professores. A todos os mestrandos com idade para saber que nunca exercerão o que estudam, mas que vão aproveitando porque entretanto sempre vai pingando a bolsa obtida graças à influência de um familiar. A todos os condutores de Mercedes que o têm porque o seu nível de patamar do emprego diz “direito a carro de classe X”, quando a qualidade com que exercem o trabalho seria mais para andar de burro. A todos os autarcas que fizeram obras em casa e não precisaram de pagar por elas. A todos, pobres e ricos, donos de jantes de liga leve e filhos com educação ainda mais leve. A todos os que lá em casa bebem vinho vulgar mas durante a semana, com factura metida na tesouraria da empresa, hesitam entre o Pera Manca e um Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa. A todos os empresários que declaram às Finanças prejuízo e aos amigos declaram que este ano vai ser Maldivas. A todos: obrigado. Ontem, vendo os meus feitores, humildes e com a boina enrodilhada nas mãos, prestando contas à dona alemã da quinta, senti a minha parte da vergonha. Mas a todos, obrigado: graças a vocês sei que há maiores culpados.

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A hipocrisia da moral

E-mail enviado ao DN em resposta à homilia do Sr. Neves:

“João César das Neves meteu-se em problemas há alguns anos ao estabelecer uma relação causa e efeito entre a homossexualidade e a pedofilia. Pelo vistos tornou-se mais cuidadoso, agora ao estabelecer uma relação semelhante entre a homossexualidade e o homicídio fá-lo discretamente; “Quando surgem as tragédias, inevitáveis em estilos de vida desviantes…”.  Refere-se claro ao homicídio de Carlos Castro, mas nunca o menciona.

A defesa da moral e bons costumes é um exercício difícil de exercer sem cair na hipocrisia, e ao atacar semana após semana  e até à exaustão os “estilos de vida desviantes” sem nunca exercer semelhantes exercícios entre “celibato/pedofilia”, “família tradicional/violência domestica” ou até “família tradicional/pai que vai à missa/incesto”, João César das Neves demonstra não ter a estatura moral necessária para o fazer.

Quer a Igreja Católica queira, quer não, os problemas existem (e sempre vão existir) em todos os estilos de vida, tentar atirar as culpas para os estilos de vida que não aprova faz com continue a ser parte do problema e não da solução.
Segundo ouvi dizer, Jesus pregava a tolerância. Porque é que a Igreja Católica, que se diz sua representante, não o faz também?”
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O Senhor Arrogância

O “amigo” Mourinho consegue ser mais arrogante (como é possivel???) do que eu pensava. Não é que o “gajo” acha-se escolhido por deus?

Tirado de uma entrevista ao 70×7, um programa patrocinado por uma religião que diz que o orgulho é um dos 7 pecados mortais:

Eu digo sempre: Ele lá em cima apontou para mim e disse tu vais ser um dos talentosos naquela área. E assim foi”, afirmou Mourinho.

“Sem ser aquele praticante profundo – que não o sou ou por personalidade ou pelo próprio estilo de vida que acabo por ter – acredito muito que ele está e que, da mesma maneira que me escolheu como um dos eleitos, eu tenho também uma missão a cumprir neste mundo”, precisa.

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Civismo à Portuguesa

Fizeste merda? Foge com o rabo à seringa, pode ser que fiques impune.

e-mail que anda a circular :

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Se cometerem uma infracção grave ou muito grave ao Código da estrada…

*NÃO PAGUEM VOLUNTARIAMENTE.**

….[bla bla bla ladrões,bla bla bla politicos ladrões, bla bla bla polícias ladrões]…

Se optarem pelo Depósito e pela impugnação da contra-ordenação, obrigam os serviços administrativos da DGV e os Governos Civis a ficarem entulhados de processos para responder e dar seguimento.

Muitos desses processos vão prescrever.

Pode ser que o vosso também prescreva.

Nunca deixem de apelar e de impugnar.

A Constituição Portuguesa fornece-vos esse direito.

USEM-NO.

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Portanto, a solução para os problemas “causados” pelos políticos e os policias  é não pagarmos pelos nossos crimes.

Quando alguém que reencaminhou esta bela parvoíce tiver um acidente, causado por um senhor em transgressão, vai-se queixar que os policias não fazem o trabalho deles. Vamos longe, vamos!

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Certificação de Software de Facturação

E-mail enviado ao Diário de Noticias e ao Região de Leiria.

  • Publicado, ligeiramente abreviado, no DN  do dia 14/12/2010 com o título “Quem manda no País”.
  • Publicado, ligeiramente abreviado, no Região de Leiria do dia 23/12/2010 na secção “Cartas do Leitor” com o título “Quebra-cabeças para as empresas”.


Nos últimos anos tem sido pedido às empresas um esforço significativo nas suas obrigações fiscais. Esse esforço é não só financeiro devido à obrigatória constante actualização de software, mas também organizativo devido à necessidade de alteração de processos. A certificação de software que dita cegamente que não se pode alterar documentos que se destinem aos cliente depois de finalizados, é um grande quebra cabeças para as empresas especialmente para as que fazem exportação. Entendo que seja necessário evitar a fuga ao fisco e que este é um bom método, apesar de na minha opinião as grandes dificuldades que causam em quem cumpre anularem completamente as vantagens do sistema. O que já não compreendo é a alínea da portaria que diz que “excluem-se do disposto … os programas de facturação utilizados por sujeitos passivos que … utilizem software produzido internamente ou por empresa integrada no mesmo grupo económico”, ou traduzindo para Português : “estão isentos deste grande molho de brócolos os grandes grupos económicos”.

É muito triste ver que apesar da crise e das exigencias que nos pedem quem manda no país não são os politicos eleitos mas as empresas que os apoiam e financiam. A constatação cada vez mais evidente, de que não vivemos numa democracia mas numa plutocracia, enoja-me e entristeci-me.

Cláudio Tereso
Marinha Grande

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Contos e moralidades bacocas

E-mail enviado ao DN em resposta ao “conto de natal” do Sr. Neves:

Os contos e as suas respectivas parábolas, analogias, morais e lições de vida não são espelhos da realidade. São visões distorcidas e parciais da visão que o autor tem sobre o mundo.

No seu ternurento conto de Natal, João Cesar das Neves faz uma analogia entre a crise financeira e a nossa divida com deus. Bonito (especialmente se tirarmos o fundamentalismo mais básico da frase “A única forma verdadeira de viver é numa total e profunda dependência deste Deus que nos dá tudo.”) mas parcial, é claro. Analogia idêntica podia ser feita entre a crise financeira e o “nosso” investimento feito em deus : “Pedro investiu tempo, suor, sangue e dinheiro na sua fé em deus, teve um azar na vida e quando foi pedir dividendos do seu investimento descobriu que deus era virtual (uma espécie de fraude em pirâmide), e não só não obteve dividendos como perdeu todo o seu investimento.”.

Qual dos dois contos está certo? Ambos e nenhum! São Estórias, servem para entreter, mais nada!

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Os Mercados II

E-Mail enviado ao Região de Leiria

Publicado na secção “Cartas do Leitor” no Região de Leiria de 3 de Dezembro

Francisco Figueiredo  na sua crónica “Das Margens do Liz” [última página da edição de 19 de Novembro] liga a taxa de juro à divida Portuguesa ao discurso dos políticos. Segue o pensamento geral de que, se nos portarmos bem, os mercados tratam-nos bem. Lamento, mas não tem sorte nenhuma. Esse discurso permanente dos órgãos de comunicação não tem pés para andar. Aconselho o Francisco a consultar os dados sobre as taxas de juros para Portugal e a Irlanda. Vai verificar que nos últimos meses andaram de mãos dadas; quando uma sobe a outra sobe, quando uma desce a outra desce. Das duas umas, ou na Irlanda os políticos têm o mesmo discurso nos mesmos dias que os políticos Portugueses ou então a taxa de juro não têm nada a ver com o discurso político interno. Eu aposto na segunda.

Cláudio Tereso
Marinha Grande

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