Crónica no Região de Leiria : A Morte Anunciada

Crónica de 2 de Dezembro

Quem leu a minha primeira crónica não fique com muitas expectativas, esta está muitos alguns 😉  furos abaixo. Já agora em relação a essa crónica saliento que não é uma crónica contra a riqueza e os bens materiais, mas a favor da cultura, da “rua” e das pequenas coisas. Há uma grande diferença 🙂

O texto desta semana, em versão completa (sem “censura” imposta pela ditadura do espaço e número de caracteres) foi :

Aproxima-se uma época especial. Após três meses a baixar, o Sol atinge o seu ponto mais baixo no horizonte para voltar a subir. É o solstício de Inverno e para os povos antigos, que obviamente não sabiam astronomia, representava o fim do perigo de o Sol continuar a descer para nunca mais nascer, mergulhando-os numa noite eterna. Desde a antiguidade essa época é, por isso, celebrada como o (re)nascimento do deus Sol e ao longo da história foi incorporado em diversas tradições sob a forma de data de nascimento de deuses, como é o caso de Mitra, Dionísio ou Jesus.

 Os tempos das superstições estão a desaparecer rapidamente, mas o evento continua a ser celebrado de uma maneira especial e única do ano. É a altura em que após um ano a ignorarem os problemas alheios as pessoas são inundadas pelo famoso espírito natalício, tão intenso como efémero. Mas também é altura de sentimentos genuínos, pois é o pretexto por excelência para reencontros familiares, e é celebrado com grandes jantaradas e abundância de lembranças gerando o consumismo, mal-amado por muitos mas inegavelmente ligado a esta época.

 Mas o que é consumismo para uns é sobrevivência para outros. Muitos são os estabelecimentos comerciais que atravessam o ano com dificuldade na esperança de equilibrarem as contas nesta altura do ano. Infelizmente, cada vez mais as pessoas recorrem aos “shoppings”, abandonando o comércio tradicional e os centros das cidades, condenando ambos a uma morte inglória (como já aconteceu na Marinha Grande).

 Evitar esse desfecho é um dos desafios do poder local e não me parece que a opção de cruzar os braços em nome da contenção orçamental seja o caminho a seguir. É nas alturas difíceis que se vêm os grandes decisores e estou certo que muito pode ser feito com criatividade e cooperação entre as partes envolvidas.

O texto publicado pode ser consultado no Região de Leiria online.

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