Crónica no Região de Leiria : Liberdade vs Respeito
Crónica de 13 de Janeiro
O texto desta semana :
Que todos temos direitos e liberdades é do conhecimento geral. O que já não parece ser tão conhecido é que o exercício das nossas liberdades acaba no direito dos outros. É uma regra básica de uma sociedade funcional: é preciso respeitar o direitos dos outros se queremos que eles respeitem os nossos.
Encontrar o equilíbrio entre liberdades de uns e de outros é uma tarefa mais difícil do que parece e depende de bom senso e respeito, bens que parecem estar em falta no mercado.
O comportamento em salas de espectáculos é particularmente complicado. Existe em Leiria mais de uma dúzia de restaurantes de pipocas onde projectam filmes. Apesar de à entrada estar escrito “cinema”, é sabido que nesses espaços há a liberdade de comer, beber, conversar, usar o telemóvel e estar nos “melos”. Tudo liberdades que interferem com o direito das pessoas que pagaram bilhete para ver o filme.
Mas o normal nesses espaços é o exercício dessas liberdades e quem lá vai já sabe o que vai encontrar e só se tem de respeitar e aceitar. Se não lhe agrada a ideia, o melhor é não ir.
Em alternativa, existe uma sala, o Teatro Miguel Franco, onde as pessoas vão para exercer o seu direito de Ver cinema. Será pedir muito que, pelo menos aí, esse direito seja respeitado e que as pessoas abdiquem, durante duas horas, das liberdades que incomodam quem quer Apreciar um espectáculo?
O texto pode ser consultado no Região de Leiria online.
Já agora, podem ouvir o Bruno Nogueira sobre o mesmo assunto : Cinema no Zoo
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Aperfeiçoamento Filosófico do dia : Deus
Deus é a desculpa fácil às perguntas para as quais não temos uma resposta boa e é consequência da nossa dificuldade em aceitar a resposta “não sei”.
A minha teoria anterior dizia que “Deus é a resposta fácil…”, mas parece-me um exagero. Uma resposta, mesmo fácil, tem de ter algum sentido, alguma verdade por mais pequena ou incompleta que seja.
Por Exemplo:
Pergunta:
Pai, de onde vêm os bébés?
Resposta Fácil:
Quando um homem e uma mulher gostam muito um do outro, o homem mete uma semente na barriga da mãe.
Desculpa Fácil:
Vêm de Paris trazidos por uma cegonha.
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Crónica no Região de Leiria : falam, falam…
Crónica de 23 de Dezembro
O texto desta semana, em versão completa (sem “censura” imposta pela ditadura do espaço e número de caracteres), mas que é praticamente igual ao publicado, foi :
“A participação em actividades políticas para além do voto varia substancialmente entre os países europeus. É mais alta na Noruega e Finlândia e menor na Turquia e Portugal.”
Este parágrafo, tirado do relatório da OCDE “How’s Life? Measuring Well Being” (Como Está a Vida? Medindo o Bem-Estar, OCDE Publishing, 2011), com dados de um inquérito de 2008 feito em 23 países europeus, não traz nada de novo sobre os Portugueses, mas é sempre importante termos as nossas percepções confirmadas por dados empíricos.
São desanimadoras as baixas taxas de participação dos portugueses em relação à média Europeia. Por exemplo,conseguimos um “excelente” último lugar na pergunta “já boicotou algum produto”, com 3,2% a responderem afirmativamente (a média foi de 14,4% e no topo temos a Suécia com 37,3%).
E se vos parece um indicador parvo, desenganem-se! A economia tem muito poder, mais que a política, e por acaso até manda nela. Se há actividade simples que podemos exercer para influenciar o nosso “ecossistema” social/político/económico é boicotar produtos/marcas.
Foi por isso sem surpresa que li no Região de Leiria de 25 de Novembro sobre a baixa participação dos batalhanses na elaboração do orçamento municipal.
Enfim, nada de novo… Os Portugueses falam, falam, mas só quando não vale a pena. Porque quando lhes perguntam alguma coisa, ficam calados.
O texto publicado pode ser consultado no Região de Leiria online.
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JCN e o Natal
João César das Neves escreveu no DN um conto de Natal que só lembra ao Diabo.
Podem ler aqui e aqui. Em resposta enviei ao DN o seguinte e-mail:
Já não nos bastava termos os políticos a enfiarem-nos a austeridade pela goela abaixo enquanto nos tentam convencer que a culpa do estado da economia é nossa e o caminho por onde nos querem levar é para nosso bem. Pelo vistos, temos também de aturar os religiosos a dizerem-nos que não só devemos aceitar este caminho, mas que o devemos fazer caladinhos e até ficarmos agradecidos por podermos mostrar o nosso valor nesta dura provação. Não há nada mais hipócrita que vir, de barriga cheia, dizer a quem vai passar fome, que deve aceitar esse fardo (como um burro carrega o seu) que isso o levará ao céu. Pensei que já nos tínhamos visto livre deste discurso há uns séculos atrás, mas pelos vistos está de volta e como não podia deixar de ser pela mão de João César das Neves que no seu conto de Natal em forma de evangelho da desgraça divide as pessoas entre “grandes apóstolos, os mártires heróicos, pastores atentos, doutores sublimes, virgens puras, santos incomparáveis” e nós, as pessoas normais, aliás os burros. É um texto medonho, sem qualquer respeito pela igualdade entre as pessoas, uma memória de tempos passados e que não traz nada de bom. Ler os textos de JCN e ouvir Ratzinger apelar à humildade dentro das suas vestes douradas é uma amostra da sua visão distorcida do mundo: eles de barriga cheia com direito automático ao céu por serem doutores, e nós, os burros, que temos direito ao céu se aceitarmos caladinhos o que nos querem impor. Esta conversa da treta funcionou em tempos quando os “doutores” conseguiam manter as pessoas analfabetas, não funcionará agora.
Como estava com a mão na massa respondi também a esta crónica do Anselmo Borges:
Publicado muito ligeiramente modificado abreviado na secção de leitores do DN em 30/12/2011
É hilariante ver Anselmo Borges, um representante de uma religião que dominou o mundo durante séculos usando como arma a interpretação tendenciosa e interesseira de um conjunto de textos de ficção, vir-se queixar de José Rodrigues dos Santos fazer o mesmo. Os estudiosos da bíblia sabem perfeitamente que a esmagadora maioria da bíblia é ficção. Sabem que quem escreveu a bíblia nunca conheceu Jesus o que torna as suas histórias, e até a existência de Jesus, muito provavelmente falsas. Sabem, mas não se preocupam, o que interessa é os crentes não saibam. Não lhes interessada se os textos são falsos ou verdadeiros, basta-lhe que os crentes acreditem. e sempre que sai a publico informação que coloca as pessoas a duvidar, ficam histéricos e reagem dizendo “…mas isso não é novidade nenhuma”. Sinceramente, já não há paciência para tanta hipocrisia e falsidade.
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Crónica no Região de Leiria : A Morte Anunciada
Crónica de 2 de Dezembro
Quem leu a minha primeira crónica não fique com muitas expectativas, esta está muitos alguns
furos abaixo. Já agora em relação a essa crónica saliento que não é uma crónica contra a riqueza e os bens materiais, mas a favor da cultura, da “rua” e das pequenas coisas. Há uma grande diferença
O texto desta semana, em versão completa (sem “censura” imposta pela ditadura do espaço e número de caracteres) foi :
Aproxima-se uma época especial. Após três meses a baixar, o Sol atinge o seu ponto mais baixo no horizonte para voltar a subir. É o solstício de Inverno e para os povos antigos, que obviamente não sabiam astronomia, representava o fim do perigo de o Sol continuar a descer para nunca mais nascer, mergulhando-os numa noite eterna. Desde a antiguidade essa época é, por isso, celebrada como o (re)nascimento do deus Sol e ao longo da história foi incorporado em diversas tradições sob a forma de data de nascimento de deuses, como é o caso de Mitra, Dionísio ou Jesus.
Os tempos das superstições estão a desaparecer rapidamente, mas o evento continua a ser celebrado de uma maneira especial e única do ano. É a altura em que após um ano a ignorarem os problemas alheios as pessoas são inundadas pelo famoso espírito natalício, tão intenso como efémero. Mas também é altura de sentimentos genuínos, pois é o pretexto por excelência para reencontros familiares, e é celebrado com grandes jantaradas e abundância de lembranças gerando o consumismo, mal-amado por muitos mas inegavelmente ligado a esta época.
Mas o que é consumismo para uns é sobrevivência para outros. Muitos são os estabelecimentos comerciais que atravessam o ano com dificuldade na esperança de equilibrarem as contas nesta altura do ano. Infelizmente, cada vez mais as pessoas recorrem aos “shoppings”, abandonando o comércio tradicional e os centros das cidades, condenando ambos a uma morte inglória (como já aconteceu na Marinha Grande).
Evitar esse desfecho é um dos desafios do poder local e não me parece que a opção de cruzar os braços em nome da contenção orçamental seja o caminho a seguir. É nas alturas difíceis que se vêm os grandes decisores e estou certo que muito pode ser feito com criatividade e cooperação entre as partes envolvidas.
O texto publicado pode ser consultado no Região de Leiria online.
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Crónica no Região de Leiria : A fórmula
Fui convidado para fazer uma crónica de opinião no Região de Leiria durante um ano.
O primeiro texto foi publicado no dia 11 de Novembro de 2011.
O texto original teve de ser “censurado” pela ditadura do espaço e número de caracteres, e foi o seguinte:
F=(T/GT)*CG. Para quem não conhece, passo a apresentá-la: trata-se da fórmula da Felicidade e diz que a Felicidade é a relação entre o que se Tem (T) e o que Gostaria de se Ter (GT), ponderada pela nossa Capacidade de (di)Gerir o desequilíbrio dessa relação (CG). Claro que é uma fórmula simples e que não entra em linha de conta com todos os parâmetros existentes. Podíamos, por exemplo, ter em conta a Ambição (A) e ficaríamos com algo como F=((T*A)/(GT*A2))*CG, mas uma teoria geral da Felicidade não cabe nesta crónica e deixo-a como TPC para os mais corajosos.
Podemos dizer que esta fórmula da Felicidade está para uma fórmula geral da Felicidade assim como as leis da gravidade de Newton estão para a teoria da relatividade geral de Einstein. Incompleta, mas a permitir-nos obter algumas das leis fundamentais, por exemplo:
1ª Quanto mais ignorantes formos, mais felizes seremos; afinal, não podemos querer o que não conhecemos. Diminuindo GT, aumentamos F (esta técnica, aplicada com algum sucesso por Salazar, não me parece o caminho a seguir).
2ª Podemos aumentar a nossa Felicidade aumentando o valor que damos ao que temos (T); aumentando T, aumentamos F.
Vem esta segunda lei a propósito do que me traz aqui: A REGIÃO DE LEIRA. Umas das zonas de Portugal com melhor qualidade de vida: está perto de Lisboa para uma visita ocasional, se assim quisermos, e não temos o stress de lá morar e trabalhar; está perto da praia e da serra; tem espaços verdes, clima ameno, boas bibliotecas, bons locais de convívio e tem uma oferta cultural excelente para todos os gostos, muitas vezes a preços acessíveis e algumas vezes gratuita.
Infelizmente, tirando a praia, parece haver pouca procura do que a região tem para oferecer, o que é uma pena. Os espectáculos ficam às moscas, os museus vazios e as pessoas em casa a ver televisão.
“Ahh, mas eu não gosto de teatro/museus/…”. Bem, se calhar nunca experimentou, e se calhar quando experimentou foi com má vontade. Deixe-se disso! Há oferta suficientemente variada para agradar a todos. Além disso, não precisamos de ficar radiantes com tudo o que vemos, mesmo o que não apreciamos há-de deixar alguma marca a que mais cedo ou mais tarde havemos de dar valor.
“Ahh, mas eu não tenho tempo…” Deixe-disso! Dou-lhe dois conselhos que a sua mãe não aprovaria: a roupa não precisa de ser TODA passada a ferro e a casa não precisa de ser TODA limpa TODAS as semanas.
“Ahhh, isto e aquilo…”. Pois… há desculpas para todos os gostos e se realmente acha que as telenovelas, concursos e reality shows valem o tempo que se lhes dedica, desisto, não há nada a fazer. Mas se, pelo contrário, arriscar sair de casa, frequentar espectáculos, conviver com os amigos e, já agora, falar com desconhecidos descobrirá quão fácil é aumentar T (e consequentemente F). Por isso, saia de casa!
O texto publicado pode ser consultado no Região de Leiria online.
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JCN : pobreza sim, fim dos feriados não.
E-mail enviado ao DN em resposta aos “Limites da Política“ do Sr. Neves:
Só mesmo João César das Neves para nos fazer rir numa altura destas. Cortes de salários, aumentos de impostos, privatizações de serviços essências. Enfim, um sem fim de desgraças que vão levar os Portugueses para níveis de pobreza que muitos de nós nunca conhecemos.
E no meio disto tudo o que indigna, furiosamente diria eu, JCN? O corte/mudança de “celebrações comunitárias…com raízes
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Carta aberta à DGC : Provável publicidade enganosa da empresa “Club Natura” aos produtos de magnetoterapia
Nota Prévia : Não sou médico e por isso não tenho autoridade para fazer prova das minhas dúvidas.
Cláudio Tereso
Constituem atribuições da ERS a regulação e a supervisão da actividade das entidades prestadoras de cuidados de saúde. Cabe à ERS velar pelo cumprimento das obrigações legais e contratuais dos regulados, no que respeita ao acesso dos utentes aos cuidados de saúde, à observância dos níveis de qualidade e à segurança e, genericamente, aos direitos dos utentes.
À Direcção Geral do Consumidor cabe encaminhar as reclamações e queixas dos consumidores para as entidades reguladoras e garantir o seu acesso aos mecanismos extrajudiciais de resolução de conflitos de consumo (Centros de Arbitragem e Centros de Informação Autárquica ao Consumidor), entre outras atribuições definidas na Portaria n.º 536/2007, de 30/04.
Para o acompanhamento do assunto sugerimos que contacte a ERS, cujo horário de atendimento das 9:00 às 12:30 e 14:00 às 17:30h nos seguintes endereços:
Morada: Rua S. João de Brito, n.º 621, L 32, 4100-455 Porto
Telefone: 22 209 23 50
Fax: 22 209 23 51
E-mail: geral@ers.pt
Com os melhores cumprimentos,
CF
Divisão de Apoio e Informação ao Consumidor
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7 Maravilhas, para que conste
É um “concurso” organizado por uma empresa chamada EIPWU, Lda (NIF 508318939), que se tem site está, bem escondido.
A empresa NEW SEVEN WONDERS PORTUGAL, S.A. (NIF 507800052) detêm a marca “7 maravilhas de Portugal” que suponho seja um franchising da marca “New 7 Wonders” e suponho que delegou na EIPWU a organização deste evento.
Não sei quem paga a fatia maior destes festins, mas muito cai em cima dos municípios que pagam em troca de, julgo eu, receitas de turismo.
Não passa de um negócio , um franchising, que enche os bolsos a essas empresas enquanto anda toda a gente a falar da alheira e do chouriço.
E não esquecer que é um evento nacional, não traz turismo de fora.
Será que compensa aos municípios o dinheiro que gastam com esta brincadeira? Não sei. Mas acho útil sabermos exactamente do que se trata e que alguém com mais informação sobre o assunto que investigue .
Só para terem uma ideia:
Turismo de Lisboa e Vale do Tejo->EIPWU:
Adjudicação no procedimento de ajuste directo para a organização, promoção e gestão da realização do evento As 7 Maravilhas da Gastronomia, na cidade de Santarém
487.500,00 €
Associação Turismo Açores->New Seven Wonders Portugal, SA:
Prestação de serviços de organização e promoção da realização do evento “As 7 Maravilhas Naturais de Portugal®” no Arquipélago dos Açores
1.550.000,00 €
Se quiserem ver o resto vão a: http://www.base.gov.pt/_layouts/ccp/AjusteDirecto/GenSearch.aspx e coloquem os NIFs das ditas empresas.
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As deculpas de JCN
E-mail enviado ao DN em resposta à “Santa Vergonha” do Sr. Neves:
João César das Neves sofre de uma perturbação psicologia chamada dissonância cognitiva
